Agora acabou!

André Sobreiro
Nov 6, 2019 · 2 min read

Eu já perdi as contas de quantas vezes eu disse isso. Mas agora sim, acabou mesmo. Mas antes de falar do fim, vamos a um enorme flashback? Prometo ser o mais resumido possível.

No final de 2016, surgiu um enorme caroço no meu pescoço. Achei que não era nada, segui em frente até um dia (final de janeiro de 2017) que eu senti uma dor, fui para o hospital e, o que seria uma visita rápida se mostrou uma internação de quatro dias, uma biópsia e, quinze dias depois, um diagnóstico: Linfoma de Hodgkin.

Um dia depois da descoberta já estava diante de uma médica e, quinze dias depois, começando minha quimioterapia. Quatro meses de quimioterapia, três semanas de radioterapia e mais algumas semanas no meio disso, em setembro o tratamento acabava. Mas, se aquele tormento horroroso chegava ao fim, aquela penumbra ainda não.

Ficou no meu peito um cateter, que deveria ficar ali por dois anos, pelo menos. Nesse período, exames regulares, acompanhamento se o linfoma voltava e, a pior parte: a limpeza. Uma vez ao mês eu voltava ao hospital para tomar uma agulhada enorme e garantir que o cateter estava bem.

Quando a médica me liberou para tirar, eu poderia dizer que foi um alívio, mas não foi. Sim, eu estava feliz que acabou, que tecnicamente eu estava zerado, mas um fantasma sempre brota: e se eu tiver outro? O cateter aqui me ajudaria. Mas a razão me mostrou algo: amanhã é amanhã. Hoje eu não preciso dele, então vamos tirar!

A cirurgia foi extremamente tranquila. Eu cheguei no hospital seis da manhã. Uma e meia da tarde já estava de volta em casa, dolorido, ainda levemente grogue (ah a sedação…) e já trabalhando. Sim, foi tão tranquilo que já estava na labuta cotidiana.

E agora, balanço de quase três anos de processo: certamente o pior processo da minha vida. E, ao mesmo tempo, o mais transformador, o de maior aprendizado. Aprendi a viver com mais garra, com mais alegria, com muito mais coragem.

Aprendi, e sigo aprendendo, que eu tenho menos certeza do que nunca. E que isso é libertador.

E se alguém tiver curiosidade, tem uma série de posts sobre o tema.

André Sobreiro

A vida como ela é: colorida e com tons de cinza

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