Balanço 2017

Existem anos que ficam marcados em nossa história. Para o bem ou para o mal, coisas acontecem e nos ensinam demais.

2004 foi o ano que me mudei para São Paulo. 2007 é o ano que me assumi para a minha mãe e, por conseguinte, para absolutamente todo mundo. 2010 o Salada de Cinema nasceu. 2012 foi o ano que decidi pedir demissão de empresas e tentar a vida independente. 2016 o ano que voltei para o teatro. E 2017 entrou definitivamente nessa lista de anos marcantes.

Vai ser difícil pensar esse ano sem pensar em câncer, em linfoma. Dos 12 meses, oito deles eu fiquei direta ou indiretamente envolvido com isso. Já em janeiro tive a internação para descobrir o que eu tinha, que culminou com a descoberta em fevereiro e o tratamento, que foi até o mês de agosto.

Ano novo pede cafonice, né?

Percebe que o ano já foi quase todo? E tudo bem. Esse ano, desde a descoberta do Linfoma, eu decidi que isso seria a prioridade zero e pronto. O restante a gente resolve depois.

A vida emocional foi bem, ainda bem. Aliás, sem o apoio do Thi ao longo de todo esse tratamento eu não sei se teria conseguido passar por essa jornada. E nem quero saber. Completamos quatro anos em 2017 e a certeza de que quero seguir com ele só se reforçou.

Profissionalmente, não foi o melhor ano da minha vida. E nem tinha como ser. Boa parte do ano a minha agenda era em função de hospital — nada era mais prioridade — e ainda tinha que lidar com todas as restrições, que me impediam de muita coisa. Mas tudo bem. Isso me deu muito tempo de reflexão e planos que vou executar em 2018.

O projeto #PopôCorredor é outro que ficou às moscas. “Ah, mas André, eu vi na TV o caso da moça que correu uma maratona tratando um câncer”. Bom para ela. Eu não consegui ir nas minhas corridas mesmo. Ano que vem eu retomo o projeto.

E teve o teatro. Quatro peças no ano. Duas atuando, uma na sonorização e uma facilitando. Para quem deveria estar de repouso foi bem intenso, né? Mas era preciso. Como já disse lá algumas vezes, aquelas três horas semanais sempre foram meu ponto de sanidade na semana. Sem aquilo, tudo teria sido bem pior.

E se você chegou aqui e pensou “nossa, que ano de merda o dele!”, eu vou discordar de você. Foi uma merda em quase tudo? Sim. Mas eu sai vivo e saudável de uma coisa que me assustou mais do que qualquer outra situação já experimentada. E isso não foi pouco. Me deu uma maturidade e uma tranquilidade na vida que eu nunca achei que teria. 2017 será o ano do câncer? Sim. E isso é algo a se celebrar!

P.S. Chega por 2017, né? Agora eu tiro uma folga e ano que vem estou por aqui de volta!

Like what you read? Give André Sobreiro a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.