Como foi crescer gay? — Parte 1

Ser adolescente é um saco. É hormônio, mudanças mil acontecendo na vida, dúvidas, descobertas, tudo de uma vez e você ali no meio perdido. Ser um adolescente gay, pelo menos para mim, é ainda pior.

Não que eu tenha sofrido aquele bullying horroroso, nada disso. Até tinha uma ou outra agressão, mas eu apaguei isso da memória. Foram anos lindos? Longe disso. Mas eu cresci em uma época e em um mundo em que a referência gay era inexistente. Não conhecia gays, não tinha referências na TV ou no cinema para me espelhar e a internet, diferente de hoje, ainda estava entrando na minha vida.

A clássica frase Representatividade Importa, sabe? Importa muito. Casal, relacionamentos, nada disso eu enxergava como algo gay. O único contato gay que eu tive — a meu ver tardio em comparação com os amigos héteros — era a internet, que chegou em casa no fim dos anos 90. E ali, gay era sexo. Bate-Papo UOL, contos eróticos, aquelas fotos que iam carregando bem lentamente nos tempos de internet discada.

Claro, como todo mundo dessa época, eu recorri a outros artifícios para entender e lidar com meus desejos. Mas eu era um adolescente preso naquele mundo proibido do que é ser gay.

A primeira experiência homossexual, ao contrário do que eu esperava, foi bem traumática. Sai a epifania esperada, entra a humanidade. Eu estava me relacionando com outra pessoa e, por isso mesmo, com seus defeitos. Era o bastante para eu me guardar no meu mundo dos desejos sozinho.

Para ajudar, nesse meio tempo tive namoradas. Assim, no plural mesmo. Eu as estava enganando? Olha, posso ser egoísta agora, mas eu digo que não. Primeiro que eu estava me enganando sobre quem eu era. Segundo que, honestamente, o envolvimento emocional era sincero.

Mas nunca foi exatamente o que eu esperava. Sempre faltou algo. E não, eu não estou falando apenas de pinto aqui. Mas também dele. Essa parte fica para a continuação dessa história…

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