Cuide menos do amor dos outros

André Sobreiro
Jul 10 · 2 min read

Se tem uma coisa que o universo gay me mostra (e eu falo gay por ser a minha vivência, deixo claro) é que a nossa comunidade é uma cidade do interior cheia de fofoqueiras penduradas no portão.

Gay em relacionamento monogâmico? Ah, tá querendo viver em padrão heteronormativo.

O casal decide viver em relacionamento aberto? Não tem amor, só está querendo putaria.

É bissexual? Ih, tá confuso.

Está em um relacionamento poliamoroso? Não ama ninguém, só está enrolando as pessoas.

E isso eu listei em um pensamento bem rápido. Percebe que, independente do formato, o relacionamento gay é questionado?

Tem gay que vive relacionamentos que nada mais são que reproduções de relações HTs? Sim, claro que tem. Aí, entramos em duas questões: a primeira é “ninguém tem nada a ver com isso”. Relacionamento é feliz e consensual? Bom para as pessoas.

Dito isso, vai a MINHA visão disso e isso se aplica a todo tipo de relacionamento, não apenas os gays. Joguem os manuais no lixo. Cada pessoa é única e cada relação idem. Olhe cada detalhe da relação junto com a pessoa (ou as pessoas) com quem você se relaciona e entenda o que se aplica a você. Pode ser que o manual da família margarina hétero sirva para você e tudo bem. Mas não aceite o imposto. Ache o que se encaixa para você.

Ser gay, pelo menos para a minha geração, é viver descobertas tardias no que se refere a relacionamentos. Sabe aquele namorinho juvenil que você cometeu todos os erros do universo? Eu já tinha meus vinte e pouco anos quando eu o vivi.

E eu passei por isso e sigo passando. Monogamia, relacionamento aberto, poliamor. Todas as opções eu já vivi e, de verdade, cada uma teve o seu momento e foi válida. Então, antes de ser a pessoa que julga a relação alheia, segura um pouco. Nem sempre você sabe a bagagem da pessoa, tudo que ela viveu. E fica o meme que resume minha visão da relação alheia:

André Sobreiro

A vida como ela é: colorida e com tons de cinza

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