Diário do Hodgkin | A Radioterapia

André Sobreiro
Aug 22, 2017 · 3 min read

Agora que esse processo todo está acabando, eu comecei a me questionar se valia a pena seguir com esses posts. Bom, claro que assim que acabar, eu vou parar. Vida que segue. Mas, nessa reta final, fico pensando em temas, novidades e enfim, nos motivos que ainda me levam a escrever sobre Hodgkin. Esse daqui eu vi um motivo claro.

Logo que eu descobri (sim, quase tudo se remete à consulta inicial), eu sabia que teria quimioterapia e talvez radioterapia. Notem esse talvez. Foi o bastante para, em minha busca desesperada por otimismo — busca essa que faz todo sentido — eu praticamente apagar da mente a radio. Era algo menor, insignificante. Bobagem.

Sabe de nada, inocente!

Isso significa que eu errei? Não. Isso significa que eu errei? Sim. Pois é, assim mesmo. A gente, quando descobre algo assim, precisa se agarrar a otimismos, por mais frágeis que eles sejam. Mas ao mesmo tempo é preciso ser racional. Sempre. O tempo todo. Existia um talvez. Esse talvez não pode ser ignorado.

Mas ok, a radio que era um talvez virou uma realidade de dez sessões que, na prática, se converteu em quinze. E como ela funciona? Bom, diferente da quimio, quinzenal, ela é diária. De segunda a sexta. Sempre no mesmo horário. E muito mais rápida.

Tá chegando a hora de comemorar!

Por atacar localmente, os efeitos são muito mais suaves. Eu tive basicamente um cansaço diário depois da sessão que parece uma gripe começando e boca seca. Bem seca. Mas nada que água e alimentação mais cheia de molhos não resolva.

Para a cabeça, a coisa é diferente. Aqui, mais do que a contagem das sessões, eu faço a contagem do fim. Isso geraria, nos velhos tempos, uma ansiedade monstruosa. O André pós-Hodgkin está encarando como o aquecimento dos motores. Para uma nova jornada.

Edit: Sabe de nada, inocente! Quando eu escrevi esse post a radio estava um processo tranquilo até. Pffff Sem emoção não tem graça, né? Na última semana, a queda da imunidade fez toda a flora da minha boca se procriar enlouquecidamente. Resultado? Hospital para tomar soro, treze (isso mesmo, treze!) dias sem conseguir comer nada sólido, só farinha láctea e sopa Vono. Treze dias de muita dor que se estenderam ainda depois do fim da radioterapia. Mas que já estão ficando no passado.

André Sobreiro

A vida como ela é: colorida e com tons de cinza

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