Diário do Hodgkin — E a temida quimioterapia, como é?

Como eu disse no post do cabelo, a ideia era tratar da quimioterapia, afinal, esse era o começo do tratamento depois de tantos exames. Mas a queda deles me fez inverter um pouco a ordem das coisas. Mas tudo bem pois, pelo menos até agora, a quimio é meu único tratamento então ela é uma constante.

Ignorância. Essa é a palavra para definir minha relação com a quimio. Mesmo tendo mais de um caso de câncer nas famílias, a minha imagem de uma sessão de quimio era bem distante da realidade. O que eu pensava? Em cadeiras, lado a lado e pessoas tomando o tratamento e depois imagens de dor e sofrimento sem fim pelos temidos efeitos colaterais.

Bom, antes de qualquer coisa, existem várias maneiras, várias estruturas, várias combinações de drogas. E eu vou falar da minha. Não é verdade universal, ok? Dito isso, minha quimio foi mais simples do que eu pensava? Frustrante? Para mim foi um alívio, isso sim.

Desde o começo ficou acertado que eu teria um cateter colocado embaixo da pele, o Porth-a-Cath. Trocando em miúdos, eu poderia tomar a quimio por uma veia simples do braço ou por um cateter — igual aquele que as pessoas postam no Instagram quando vão para o hospital — que fica fora da pele ou pela versão que eu tenho. Como tenho veias de criança, era a melhor opção, pois basicamente ele fica lá, acessando a veia sempre. Daí não precisa ser uma caça a cada sessão.

Mas a primeira, por tempo e burocracias, foi por uma veia simples. E como era o cenário? Uma salinha individual, com cadeira para mim e para o Thi que me acompanhou, televisão e aquele suporte de soro (e mais coisas que não entram na história). Mas tudo muito agradável, tranquilo até. E eu fiquei lá, horas tomando a medicação. Cada medicação, uma bolsa distinta, sempre acompanhada de soro.

E aqui cabe meu desconhecimento: é muito líquido entrando no meu corpo. Logo, precisei fazer xixi. Mas e o medo de não poder? Fiquei lá, me contorcendo como criança, até que se tornou impossível segurar. E sim, eu podia fazer xixi normalmente. Primeiro alívio.

Na primeira sessão, que foi pelo braço, só um medicamento que foi chatinho. Aliás, CHATO PARA CARALHO PARECIA QUE ESTAVA QUEIMANDO MINHA VEIA! Mas de resto, tudo ok. Da segunda em diante, já com o cateter instalado, até a queimação sumiu.

Sabe quando você tem aquela virose chata e precisa tomar soro? É isso para mim. É essa a minha sensação. Sem incômodos, vendo TV, Netflix, lendo livro. Ainda bem que bem mais tranquilo do que eu esperava. Mais uma vez a sorte estava a meu favor.

Mas o mar de rosas não é assim tão mágico e existem os efeitos colaterais. Mas vamos falar deles no próximo post.