Diário do Hodgkin — O balanço da quimioterapia

Sim, esse é um post bem otimista. A quimioterapia chegou ao fim. E decidi reunir aqui algumas coisinhas que eu aprendi ao longo desse processo.

Quimioterapia dava medo. Muito medo. Quando eu comecei e os efeitos colaterais foram até que leves, eu cometi um erro grave: a subestimei. Ah, só uma náusea sob controle mais nada. Sabe de nada, inocente.

Quimioterapia é agressivo sim. Meu cabelo caiu e segue caindo. Quem me encontra sempre fala que não parece, e a isso eu agradeço à minha genética que me fez ter mais cabelo que o Simba tem juba. Então pode cair que ele segue aqui, dando aquela falsa segurança. Sim, é bem falsa. Não imagino como eu seria se ficasse careca nesse contexto, então não afirmo nada. Mas eu bem sei do rastro de cabelo que eu deixo em todos os lugares e como isso incomoda não pela sujeira, mas pela lembrança mesmo.

Os outros efeitos, pelo menos no meu caso, foram em um crescente, de um modo geral. Uma sessão perdida foi bem pior, mas no geral, a cada sessão os efeitos pioravam. O que era só uma náusea leve que ia e vinha no começo, acabou se tornando uma náusea bem maior, que me exigiu uma medicação mais intensa e que me levou aos vômitos.

Esses quatro meses de quimioterapia me ensinaram a respeitar muito mais esse tratamento, quem passa por ele, e os limites do meu corpo. Ao mesmo tempo, acabei aprendendo que forças externas são fundamentais, mas nada como cuidar de um item precioso: sua sanidade.

A recomendação que eu sempre tive foi: em dia de quimio, você faz quimio e só. Mas as minhas sessões sempre foram no período da tarde — com exceção da de Páscoa — e eu me perguntava: como ficar a manhã ocioso esperando a sessão? Isso não existe! Trabalhava absolutamente todo dia, até o último instante antes de sair.

Depois da sessão, o repouso é fundamental. E mais uma vez a sanidade. Pegar um filme leve, uma maratona de séries, assistir um programa bem bobo na TV. Isso faz a cabeça desligar daqueles sintomas insuportáveis e ajuda bastante.

Por fim, eu venci. O câncer? Claro que não. Pode guardar os fogos de artifício aí. Ainda tem uma etapa a caminho: a radioterapia. E mesmo depois dela, ainda existe o risco nos anos seguintes. Mas como é um passo por vez, vamos comemorar de leve essa, bastante o fim da radio e espetacularmente o fim, só lá em 2019. Mas uma etapa eu venci, sim!