Diário do Hodgkin — Retomando sonhos

Você já teve uma situação que te travasse, te impedisse de se mexer? Aposto que sim, todo mundo já passou por algo assim. Em geral a gente respira por alguns segundos — ou minutos, ou horas, ou dias — e escolhe um caminho e vai. Pois bem. Eu passei por um assim dia 1 de fevereiro.

A pessoa ilustra sonhos com computador: doentinho da cabeça msm ❤

Nos minutos que se sucederam — e eu curtia o choque da descoberta do Linfoma — eu vivi isso, esse travamento. Mas era preciso seguir e eu levantei a cabeça e, mesmo aos prantos de vez em quando, eu segui. Mas não é dessa parte que eu quero falar. É de algo maior. Um tratamento sério, um tratamento grande. E que me obrigou a colocar alguns sonhos em stand by e outros em marcha lenta, bem lenta.

E aí eu me vi em uma sinuca bem grande: sonhar era preciso, para manter a alma leve. Mas ao mesmo tempo sonhar demais podia me levar a algumas frustrações, pelas restrições que estavam na minha frente. Foi assim que, de maneira involuntária, segui sonhando, mas sempre com aquele pé na realidade me lembrando que não era a hora de fazer tudo.

No intervalo entre a quimio e a radio essa sensação bateu um pouco mais forte. Eu estava bem, com a saúde forte, mas ainda com o tratamento em desenvolvimento. A sensação de estar de mãos atadas era enorme e levemente desesperadora. Mais do que nunca, me lembrar do foco maior que era o tratamento era necessário.

E ele está chegando ao fim. E, como o doido dos planos que eu sou, já estou tirando os papéis com sonhos e planilhas e vontade do fundo das gavetas e começando, aos poucos, a retomar. A vida está ganhando novas — e bonitas — cores para um André mais maduro, mais leve.

Mas eu vou falar sobre aprendizados de tudo isso no próximo post. ❤