E o tal do casamento gay, hein?

Hoje, antes do auê da vida sexual da Sandy (como se vcs nem fizessem isso, né?) e do #lingerieday mais chato de todos (e sobre ele, leiam o texto da @gabibianco, está impecável), se falou da pesquisa divulgada pelo IBOPE sobre o “polêmico” casamento gay.

E já começo com aspas por não entender o motivo dele ser polêmico. Até onde sei, ninguém está questionando os valores de instituições religiosas, mas de um estado laico. Além disso, ninguém aqui está pedindo para, por ser gay, ter direito a uma pensão vitalícia e ainda um vale champagne eterno. Só estamos buscando ter o direito que todo mundo tem. Se você pode casar, por que eu não? Se você pode herdar, por que eu não? Se você pode adotar em casal uma criança, por que eu não?

De verdade, não entendo os motivos disso. Eu acordo, tomo banho, trabalho, almoço, trabalho mais, janto, saio com meus amigos, meu namorado, gasto dinheiro, pago contas. Em resumo, eu vivo, como vocês. Então por que raios algumas coisas eu não posso ter/fazer? Por ser gay? Ok, então gente de olhos de cores distintas também precisam ser segregadas, elas são diferentes! (Desculpa @oliviaorlandine, precisava dum exemplo assim) Não, não precisam mesmo! Isso é estúpido!

Ai vem a tal pesquisa e diz: 55% é contrário ao casamento gay. Os mesmos 55% são contrários à adoção por casal gay. E sendo bem honesto, apesar de manchetes sensacionalistas como a da Folha, que fala em maioria — ai, desculpae, mas no sentido literal é maioria, mas não com esse impacto todo — vejo luz no fim do túnel.

Os jovens, entre 16 e 24 anos, 60% são favoráveis à decisão do STF (e entre os com mais de 50, apenas 17%). Apenas 22% se afastaria de um professor por ele ser gay. E a grande surpresa, para mim, são os 50% de católicos favoráveis á união estável.

Sim, dá pra perceber a transformação do país? Sim, dá! Os jovens são favoráveis ao óbvio: igualdade. E isso é bem positivo sim. Ainda não é o país dos sonhos, e muito menos os números dos sonhos, mas já mostram algo: estamos avançando. Há esperança de poder andar, com um marido e meus filhotes pelas ruas sem medo de lâmpada na cabeça.

E se quiser ver a pesquisa toda, tá nesse link!


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