Filadélfia

Filadélfia

– Eu sei que é isso mesmo que eu quero.

– Tem certeza disso? Eu realmente espero Pedro, o tempo que você precisar.

– Não, Cláudio. Eu quero e quero agora.

Cláudio e Pedro se beijaram. Furiosamente. O desejo que exalava dos dois dava a impressão de que nunca tinham feito aquilo. Em partes, era verdade. Pedro, tímido ao extremo, nunca tinha sequer pegado na mão de outra pessoa que não sua mãe e seus primos. Aos 14 anos, quando todos os amiguinhos começavam a brincar de beijar na boca, ele corria para casa, alegando muita lição de casa para fazer.

Agora, aos 18 recém completados, estava ali. Uma casa completamente estranha com Cláudio. O primeiro contato entre os dois foi, na verdade bastante inocente. Pedro queria um tênis novo e Cláudio, com 22 anos, estava lá, atendendo, todo solicito. A simpatia foi mútua e imediata. O que seria uma compra rápida no meio da tarde, demorou quase uma hora inteira em discussões sobre qual seria o melhor modelo do calçado.

Na tarde seguinte, quase que involuntariamente, Pedro estava lá, em frente á loja de calçados, olhando Cláudio atender um grupo de menininhas adolescentes. A troca de olhares, muito discreta e um leve aceno de cabeça do vendedor foram o bastante pra Pedro tomar coragem e entrar.

Uma conversa sobre tênis para disfarçar e descobriram interesses mútuos. Elvis, Beatles, Superman, química orgânica. Assuntos aleatórios que os aproximavam mais e mais.

– Eu saio as oito daqui. Quer ir ao cinema comigo hoje?

As pernas de Pedro tremeram, a boca secou. Quase sem respiração, ele aceitou. Um encontro. O primeiro da sua vida seria dali a algumas horas. Despediu-se e correu para casa, a apenas algumas quadras daquele shopping, para se arrumar. Tomou um banho, saiu enrolado na toalha e completamente nu se olhou no espelho. Não que tivesse coragem para fazer qualquer coisa, mas o único pensamento que passava por sua cabeça era o quanto se achava desinteressante fisicamente. Nunca que Cláudio iria querer algo a mais com ele.

Ao chegar no cinema, não pode deixar de notar que Cláudio, mesmo saindo do trabalho e apenas subindo um lance de escadas até o cinema tinha se dado ao trabalho de se arrumar. O cabelo, milimetricamente despenteado, uma camiseta preta e um jeans. De costas, batendo o pé no chão.

– Cláudio…

– Você está lindo.

Com o rosto vermelho pelo elogio, Pedro entrou na fila, compraram os ingressos, o filme era Filadélfia, e foram para a sala. Na saída, se perguntassem para qualquer um deles qual era o enredo, nenhum saberia dizer. Não que tivessem feito qualquer coisa dentro da sala. Mas a tensão de estar ali, lado a lado um com o outro sem a necessidade de disfarçar como na loja de calçados, tirou qualquer reação de ambos.

Na saída, sem pensar Cláudio dispara.

– Quer ir para a minha casa? Eu moro sozinho.

Pedro, também sem pensar aceitou. No caminho, um silencio completo, só quebrado pelo som dos outros carros passando. Dirigindo rápido, Cláudio chegou em casa, abriu a porta para Pedro, que entrou com receio de tocar em qualquer coisa, hábito que trazia desde a infância.

Olhos nos olhos se aproximam e um abraço forte os une. Minutos e minutos assim.

– Eu nunca fiz isso antes.

Nova troca de olhares, carinho no rosto um do outro.

– Eu sei que é isso mesmo que eu quero.

– Tem certeza disso? Eu realmente espero Pedro, o tempo que você precisar.

– Não, Cláudio. Eu quero e quero agora.

E assim, num beijo longo e cheio de desejo que seus corpos se encontraram e permitiram, sem pudor ou vergonha, que suas almas se unissem, como as verdadeiras almas devem se unir e se integrar. Plenamente.

– Eu sei que é isso mesmo que eu quero.

– Tem certeza disso? Eu realmente espero Pedro, o tempo que você precisar.

– Não, Cláudio. Eu quero e quero agora.

Cláudio e Pedro se beijaram. Furiosamente. O desejo que exalava dos dois dava a impressão de que nunca tinham feito aquilo. Em partes, era verdade. Pedro, tímido ao extremo, nunca tinha sequer pegado na mão de outra pessoa que não sua mãe e seus primos. Aos 14 anos, quando todos os amiguinhos começavam a brincar de beijar na boca, ele corria para casa, alegando muita lição de casa para fazer.

Agora, aos 18 recém completados, estava ali. Uma casa completamente estranha com Cláudio. O primeiro contato entre os dois foi, na verdade bastante inocente. Pedro queria um tênis novo e Cláudio, com 22 anos, estava lá, atendendo, todo solicito. A simpatia foi mútua e imediata. O que seria uma compra rápida no meio da tarde, demorou quase uma hora inteira em discussões sobre qual seria o melhor modelo do calçado.

Na tarde seguinte, quase que involuntariamente, Pedro estava lá, em frente á loja de calçados, olhando Cláudio atender um grupo de menininhas adolescentes. A troca de olhares, muito discreta e um leve aceno de cabeça do vendedor foram o bastante pra Pedro tomar coragem e entrar.

Uma conversa sobre tênis para disfarçar e descobriram interesses mútuos. Elvis, Beatles, Superman, química orgânica. Assuntos aleatórios que os aproximavam mais e mais.

– Eu saio as oito daqui. Quer ir ao cinema comigo hoje?

As pernas de Pedro tremeram, a boca secou. Quase sem respiração, ele aceitou. Um encontro. O primeiro da sua vida seria dali a algumas horas. Despediu-se e correu para casa, a apenas algumas quadras daquele shopping, para se arrumar. Tomou um banho, saiu enrolado na toalha e completamente nu se olhou no espelho. Não que tivesse coragem para fazer qualquer coisa, mas o único pensamento que passava por sua cabeça era o quanto se achava desinteressante fisicamente. Nunca que Cláudio iria querer algo a mais com ele.

Ao chegar no cinema, não pode deixar de notar que Cláudio, mesmo saindo do trabalho e apenas subindo um lance de escadas até o cinema tinha se dado ao trabalho de se arrumar. O cabelo, milimetricamente despenteado, uma camiseta preta e um jeans. De costas, batendo o pé no chão.

– Cláudio…

– Você está lindo.

Com o rosto vermelho pelo elogio, Pedro entrou na fila, compraram os ingressos, o filme era Filadélfia, e foram para a sala. Na saída, se perguntassem para qualquer um deles qual era o enredo, nenhum saberia dizer. Não que tivessem feito qualquer coisa dentro da sala. Mas a tensão de estar ali, lado a lado um com o outro sem a necessidade de disfarçar como na loja de calçados, tirou qualquer reação de ambos.

Na saída, sem pensar Cláudio dispara.

– Quer ir para a minha casa? Eu moro sozinho.

Pedro, também sem pensar aceitou. No caminho, um silencio completo, só quebrado pelo som dos outros carros passando. Dirigindo rápido, Cláudio chegou em casa, abriu a porta para Pedro, que entrou com receio de tocar em qualquer coisa, hábito que trazia desde a infância.

Olhos nos olhos se aproximam e um abraço forte os une. Minutos e minutos assim.

– Eu nunca fiz isso antes.

Nova troca de olhares, carinho no rosto um do outro.

– Eu sei que é isso mesmo que eu quero.

– Tem certeza disso? Eu realmente espero Pedro, o tempo que você precisar.

– Não, Cláudio. Eu quero e quero agora.

E assim, num beijo longo e cheio de desejo que seus corpos se encontraram e permitiram, sem pudor ou vergonha, que suas almas se unissem, como as verdadeiras almas devem se unir e se integrar. Plenamente.

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