M.

M. amava um vaso. Do alto da sabedoria de uma criança de 8 anos de idade, tinha amor por aquele vaso tão elegante.

Era chinês, ela ouviu mamãe falar para uma visita querendo impressionar. Mas como era chinês se ele a entendia tão bem? Chineses podem nos entender?

Olhava para ele por horas a fio, sentada no chão em frente ao aparador da sala onde ele ficava, imponente. Todo em tons de vermelho, amarelo e laranja, com desenhos que se contorciam e não faziam muito sentido para ela, o vaso a encarava e ela devolvia o olhar. Diariamente.

Qual é a função dos vasos? Diziam que era para flores, mas ele sempre estava ali, vazio, esperando por flores que o preenchesse. E as flores nunca vinham.

Como podia um vaso chinês ficar assim, sem a beleza das flores para o completar? Ele precisava de flores que o completassem? Flores que, rapidamente iriam morrer e precisariam ser substituídas? Ou sua sabedoria se bastava?

A vida era injusto com o vaso e M. fez o que deveria fazer. Esperou todo mundo se distrair e o quebrou. Nesse momento M. se entendeu humana.