Mas precisa enfiar em um buraco mesmo?

Faça um exercício comigo: visualize aquela pessoa que você sexualmente mais deseja e nunca pegou. Agora pense em vocês fazendo sexo. Não se conhecendo, não em um date. Fazendo sexo, trepando mesmo. Agora seja sincero: teve penetração na imagem que você fez? A minha com o Darren Criss teve, eu assumo. E foi em cima desse ponto que eu decidi chamar meus amigos gays e perguntar sobre a importância da penetração para eles.

Sim, só os gays. Como sempre, é o corte social que eu faço parte e que posso olhar com propriedade. Não tenho como falar para casais héteros sobre o tema. E muito menos para meninas. Dito isso, pedi para eles avaliarem, de 0 a 10, qual a importância da penetração no sexo para eles. O resultado, até que me surpreendeu, com uma média de 6,7, abaixo do que eu esperava. Tem um dez, um nove e o resto vai entre 8 e 5. Cinco, a metade da coisa, é o limite dos meus amigos que, claramente, não são gouines.

Não se empolguem, essa cena nunca existiu em Glee

Aliás, os que estão namorando, tendem a dar uma nota mais baixa. O que faz sentido, né? Enfiar uma coisa em um buraco é gostoso, mas é isso. A relação precisa ser reinventada, realimentada e descobrir novas formas de prazer é fundamental.

Sobre essa importância toda, recebi respostas como “é gostoso”, “importante para o jogo da intimidade, para a consolidação do desejo”, “meio senso comum que penetração é algo que obrigatório no sexo. Tão senso comum que as pessoas se anulam na hora de descobrir formas novas de prazer”. Mas sabe o que eu mais li? Que a penetração está intimamente ligada à virilidade, à dominação, “ao poder do pau”. Uma gigantesca construção social. E isso pode — e deve — ser questionado por nós.

Mas ao mesmo tempo, que orgulho de vocês amigos, muitos deles apontaram que essa delimitação do prazer não é a saída. “O prazer é importante. E no nosso mind set o prazer no sexo está diretamente ligado a foda, à penetração. Se pararmos para pensar, o prazer da foda é legal, mas a intimidade de um prazer num simples toque. É MUITO MAIS louco. Já pensou nisso? Penetração seria o “caminho fácil”, sabe? ’, disse um deles. “Quem tem uma visão pequena e limitada do sexo tende a reduzi-lo à penetração apenas. Mas existem tantas possibilidades! ”, disse outro. “É muito mais amplo, muito mais gostoso que isso. Eu acho que quem dá muito valor só em meter, tem alguma coisa bem mal resolvida. É a forma mais primitiva de sentir prazer”, disse um terceiro.

Ah, e antes que me acusem de qualquer coisa, vamos deixar bem claro (ok, talvez seja tarde para afirmar isso, mas foda-se) que ninguém aqui está sendo a favor ou contra a penetração. Você pode adorar e não viver sem. Você pode odiar e viver absolutamente bem sem. O importante é: seja consciente dessa escolha e não por pura imposição ou construção social. E teste, se descubra, encontre um formato que te agrade.

E se não acha que a penetração é obrigatória, não se sinta um grande e estranho viado. Dos 21 meninos que eu conversei, oito teriam um relacionamento sem penetração, nove não teriam, e outros quatro ficaram no talvez, precisariam avaliar a relação. Você não está sozinho.

E refazendo a minha pergunta lá do começo: precisa enfiar em um buraco mesmo? Não, não precisa. Mas se você quiser, pode. E essa é a magia de relacionamentos: não tome nenhuma regra como certa ou exata. Cada caso vai se ajustar pelos interesses de ambos.

Aproveito para agradecer a ajuda dos queridos André Degasperi, Antônio Neto, Brunno Fróes, Caio Cesar, Cadu Arantes, Eric Boldrin, Fabio Santos, Fellipe Fernandes, Fernando Dibb, Gianluca Ambrósio, Graciliano Marques, Henrique Bellini, Mateus Leão, Matheus Martins Diniz, Rodrigoh Bueno, Roger Mestriner, Thiago Oller de Castro, Tiago de Pinho, Vito Antiquera e Will Poliveri. Vocês me ajudaram demais a expandir minha mente. E vamos tomar uma cerveja e debater mais sobre o tema. Sempre bom. =)

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