O fim de uma era na minha vida. Adeus Glee :´(

Eu não era uma pessoa de assistir a séries de TV. Na minha casa sempre teve apenas uma TV, sempre na sala e sem TV a cabo. Sou menino do interior, criado na rua (apesar de não saber subir em árvores por pura falta de coordenação) e só fui ter essas modernidades em casa aqui em São Paulo. E ainda assim não acompanhava.

Isso antes, quando as pessoas começaram a falar dessa tal de Glee. Uma série musical. Para alguém que adora musicais e sua absoluta falta de coerência, era um prato cheio. E lá fui eu começando a ver a tal série que virou um sucesso. E virou amor. Cego. Daqueles que a gente enxerga os defeitos, mas tolera sabe?

E seis temporadas depois, chegou a hora de dizer adeus. Um adeus que eu assumo, posterguei alguns dias depois que ele foi ao ar. Dizer adeus ao Blaine, meu personagem favorito de todos os tempos e suas gravatas borboletas. Adeus à adoravelmente insuportável Rachel Berry. Mais uma vez dar adeus ao Finn, personagem que morreu junto com seu protagonista (e que me fez chorar de verdade!). E as maldades e acidez da Santana e da Sue Sylvester. SUE SILVESTER, migos! E todas aquelas apresentações em disputas de corais que me deixavam arrepiado chorando e aplaudindo pra uma tela de computador.

Chegou a hora de dizer adeus a uma série que, enquanto o Brasil fica se batendo por causa de um beijo lésbico na TV, colocou casal gay, casal lésbico, personagem experimentando sexo lésbico, mudança de sexo, travesti, coral formado apenas por pessoas que fizeram mudança de sexo (de verdade!). E tudo tratado como deve ser tratado: com clareza, mas sem medo. Goste ou não, Glee (e Kurt, Blaine, Santana, Brittany, Unique, Sheldon, Karofsky e por aí vamos) é um belo de um exemplo para jovens saindo do armário.

E eu encarei. Dois episódios seguidos de despedida. O primeiro, uma volta ao Piloto, nos mostra outros ângulos de uma história que tão bem conhecemos: o nascimento do New Directions. E contar isso com o protagonista morto exigiu criatividade dos roteiristas e rendeu uma homenagem linda.

E para fechar, a despedida. Focada em quem importa. Seria impossível se despedir de tudo e todos. Mas todos estavam lá, se fazendo presentes (ok, menos o Rory que fez falta e a Marley que já vai tarde), nos trazendo memórias das seis temporadas. Chorei. Chorei muito. Mas chorei como nas últimas seis temporadas: com um sorriso no rosto. Como Glee sempre me emocionou.

Adeus? Que nada! Até logo! Em breve eu recomeço da primeira.


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