O que é essa tal de fidelidade?

Sempre que se fala em relacionamento, essa palavrinha aparece: a fidelidade. E veja bem, ela serve originalmente em tantos outros contextos. Mas a gente invariavelmente associa a relacionamentos. E quando a gente pensa em relacionamento entre dois homens, a coisa ganha um agravante: gay é visto como promíscuo, como alguém que não resiste aos encantos do sexo, da traição, de uma boa noite na cama com um estranho. Vamos então por etapas.

Primeiro que achar que só gay adora sexo assim é reducionista. Tem gay que adora sexo? Claro! Assim como tem os que não gostam. Assim como tem homem hétero que adora e que não gosta. E mulher hétero que adora e mulher hétero que não adora. Fim. Vamos parar de disseminar preconceitos que só são uteis pra conservadores embasarem seus pensamentos.

Segunda coisa: que mal há gostar de sexo mesmo? Mas isso a gente vai falar em outro post, eu prometo. Vamos agora à tal da fidelidade. Basicamente, ao conversar com as pessoas, a palavra está associada a monogamia. E aqui voltamos ao discurso: gay tudo trai.

Na verdade, a raiz aqui está em outro ponto: valores mais do que enfiados em nossa cabeça. O que é um relacionamento? Papai, mamãe e seus filhos em um comercial de margarina. Daí você foge desse padrão e todo o resto deveria ruir junto. Mas a gente acaba carregando os padrões.

“Ah, você está dizendo que as pessoas devem trair sem pudor? ” Eu não, jamais! Traição é sim uma coisa feia, errada. O que eu estou dizendo é: vamos jogar na privada os valores pré-estabelecidos do que é um relacionamento e começar do zero.

Sim, do zero. Vai entrar num relacionamento? Antes disso se pergunte que tipo de relacionamento você quer e, com a resposta em mãos converse com a outra parte sobre o tipo de relacionamento que ela quer. Vocês podem encontrar um formato em comum. Ou com diferenças negociáveis. Ou com diferenças tão grandes que vão impedir o relacionamento. Mas não traia. Converse. Dá trabalho sim, claro, mas a longo prazo é muito melhor. E tenha sempre em mente: nada é imutável. Esteja sempre aberto a conversar, renegociar. Isso é a magia da relação.

E aqui eu falo de gays, mas vale para absolutamente todo mundo. Negocie o formato do seu relacionamento. O que vale e o que não vale. Troque a fidelidade estabelecida por uma lealdade acertada. O resultado vai valer a pena.


Originally published at andresobreiro.com.br.

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