São muitas as cores

Você se lembra dos seus crushs de infância? Não aquele namoradinho ou namoradinha que a tia da escola falava que você formava um par fofo. Estou falando daquele que a gente via na TV e ficava fantasiando. O meu era o Billy Cranston, dos Power Rangers.

Não que eu fantasiava com sexo com o David Yost. Na época eu só olhava e pensava que queria ser exatamente como ele. Mas era mais que admiração, dá para entender? Os anos foram passando, a sexualidade se desenvolvendo e o elenco das novelas do Carlos Lombardi e os modelos sem cabeça das caixas de cueca da loja do meu avô assumiram esse posto.

Mas repare nesses elementos: nenhum deles representa meus interesses sexuais de maneira direta. São homens, sim. Mas o elemento sexo com outro homem era inexistente. Acho que sexo entre homens, de verdade, fui ter contato quando eu passei a ter internet, lá no final da década de 90. Faça a matemática: eu tinha mais de 15 anos já. Mas em que ponto eu quero chegar? Nas mil questões sobre a representatividade que, cada vez mais, ecoam na minha cabeça.

Não tem muito tempo eu vi três obras que, individualmente trazem suas narrativas próprias, mas que, juntas, criaram esse raciocínio. A primeira foi o filme Mãe Há Só Uma, da Anna Muylaert, que colocou um protagonista de sexualidade fluída. O segundo foi a cena de sexo gay em uma novela da Globo. E para fechar, um documentário sobre o universo Trans na GloboNews.

Eu sou homem, cis, branco, classe média. Se para mim crescer no mundo, entender minha sexualidade e aceitá-la foi bem difícil, imagine para uma pessoa trans. Para uma pessoa não binária. Eu, do alto de todos esses privilégios, pude assistir um sexo gay entre dois homens na TV aberta brasileira com 33 anos de idade (ok, vi no dia seguinte pois ainda passou num horário bem tarde para mim). Imagine como é a vida de uma pessoa trans. Imaginou? O mínimo que eu espero é que você tenha no mínimo se solidarizado com o problema dessa pessoa. A tal da empatia, sabe?

Quanto mais os anos vão se passando, mais eu vou entendendo que a diversidade é infinitamente maior do que meu umbigo, do que os meus parcos conhecimentos. E só tem um jeito disso mudar: com informação, com a gente, aqui do nosso mundinho, fazendo um exercício constante de entendimento que o mundo é mais colorido. E acredite, quanto mais a gente entende, mais a gente quer entender e se encanta com o todo. A diversidade é legal.