Abri a janela. Esperava encontrar um dia de sol, passarinhos cantando, uma cena de um filme da Disney com a princesa acordando.

Encontrei uma chuva rala e um vento frio que me fizeram tremer e repensar a ideia de me expor tão cedo ao mundo só de cueca. Um arrepio subiu pelo corpo, fazendo os pelos do corpo se eriçarem como um gato arisco, pronto para avançar em alguém.

Não era o frio. O frio sempre me agradou. A sensação de sentir frio e, logo depois me cobrir, sempre me fez muito bem.

Foi uma percepção. Uma sensação que estava ali, o tempo todo, mas que a vida, o trabalho corrido, as infinitas selfies cercado de amigos em eventos sociais, fizeram o trabalho de sufocar.

E ali, só de cueca slip branca, com o pé no chão, ela voltou. E arrepiou e assustou. “Eu estou sozinho”, pensei.

Na hora um sorriso de canto de boca veio, mas com um gosto amargo. Não, eu não estou sozinho. Eu sou sozinho.

Eu já fui tão machucado que sou assim, sozinho. E não é por escolha minha. Nunca quis ser a pessoa que se arrepia ao abrir da janela em uma manhã chuvosa de um verão atípico.

Será que eu consigo voar? Sou sozinho, acho que posso testar…