Sobre jornadas e conclusões

Eu podia fazer pilates, ponto cruz ou até aprender a falar italiano. Na verdade, todas essas opções eu me interesso de verdade. Mas em algum momento do passado eu decidi fazer teatro.

Assim como decidi, eu me afastei e, um ano atrás eu voltei. Voltei com medo, voltei com insegurança, voltei sem nenhuma rede de proteção. Ninguém disse que seria fácil. Encerrei o primeiro módulo com aquela primeira sensação de dever cumprido. Mas queria mais, queria desafio. Só não imaginava que eu receberia um desafio tão grande.

Mal comecei meu segundo módulo e a notícia: você tem um câncer para lidar. Não é algo que você pense: ah, depois eu resolvo. Era agora. Projetos deveriam ser pausados. Mas e o teatro? Foi minha maior dúvida. Mas decidi continuar.

Se alguém me fala que eu fui corajoso de seguir ensaiando e tratando o câncer, eu digo que sou apenas inconsequente. Não pesei, em um primeiro momento, o que seriam essas duas jornadas juntas. Depois sim, eu pensei bastante. Escolher a data da quimioterapia para ter repouso o bastante para os ensaios. Tentar (e falhar miseravelmente) não fazer bater a radioterapia com as apresentações.

As quimios, sempre de sexta-feira, me permitiam descansar o final de semana, então eu chegava na terça quase (eu disse quase!) renovado. Já a radio, eu tentei que não coincidisse. No final, duas sessões bateram com apresentações e a terceira com a avaliação.

Sério, foi difícil. Cansaço físico das sessões. Cansaço mental pela jornada toda. Mas o teatro é mágico. Por algumas horas ficava de lado o André Sobreiro e seu câncer e entrava Aurélio Gaston e sua busca pela irmã Rosa.

A melhor irmã que o teatro poderia me dar! Te amo, Gabi ❤

Mas eu sou consciente: sei que não fui o melhor aluno e ator (na verdade, nem sou nenhuma das duas coisas), mas eu estou aprendendo uma coisa na minha vida: eu tenho sim que me cobrar, mas eu preciso reconhecer meus méritos. E sim, foi um mérito enorme eu ter encarado as duas coisas de uma vez só. Muita gente teria desistido.

Hoje, analisando, não sei mesmo se eu seguiria com esse plano ou me focaria no tratamento. Mas não dá para voltar no tempo. A escolha foi feita e a consciência está tranquila que dei o melhor que eu podia nesse semestre.

O que virá depois? Ainda não sei. Vou pensar e decidir meus passos seguintes. Dessa vez pensando com calma… ou seguindo o coração de novo =P

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