Vamos ser viados para sempre!

Lá em 2007, quando eu saí do armário para a minha mãe, uma das perguntas que ela me fez foi se eu sairia usando sapato de salto. Na época, eu afirmei categoricamente que não, que nem de All Star eu sei andar sem tropeçar.

Eu estou contando isso para falar que minha mãe tem preconceitos ou que eu tenho preconceitos? Não. Eu estou contando para mostrar como a gente muda e evolui. Na mesma época eu achava extremamente ofensivo se me chamassem por pronomes femininos. Hoje, não tem uma miga que eu não chame assim. Evolução.

Eu nunca fui um menino machinho, masculino. Sempre fui delicado, tímido. Não era nem uma criança atleta e nem a criança viada que dança É o Tchan pra família (hoje eu danço!). Com o passar dos anos eu fui me entendendo gay e percebendo que não era apenas timidez: era uma boa dose de auto-repressão.

Se eu ficava contido, eu não precisava nem ser machinho — algo que eu não me identificava — e nem afetado — algo que eu achava errado. Para isso, eu tentava fugir de tudo que fosse estereótipo de gay. E por muito tempo, eu fugi dele, afinal, estereótipo era ruim, não era eu.

Ah, mas nada como a maturidade. Com o passar dos anos fui entendendo algo óbvio: O estereótipo do gay só existe por que existe esse gay. E isso é ótimo. Assim como é ótimo existir o gay fechado. E o gay atleta. E todo tipo de gay.

E quanto mais eu entendia, mais eu me aceitava. E mais eu percebia que eu sou tímido até certo ponto. Sou afetado em alguma dose. E aqui não importa a dose que você é. Importa apenas: se você é, abrace isso! Empine a cabeça e ande com orgulho. O que importa, no final das contas, não é o quão afetado você é, mas sim o quão transparente consigo mesmo.

E, por fim, ser viado é muito legal!

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