Sobre a crise políticas e as oportunidades perdidas

Na última segunda-feira, 11, enquanto a comissão especial do impeachment se preparava para votar o relatório que decidiria ou não pela ida da decisão ao plenário da Câmara, Lula se reunia com deputados e lideranças políticas num apartamento em Brasília. Não muito longe dali, no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, Michel Temer (PMDB) se utilizava de expediente parecido no intento de usurpar o cargo de Dilma.
Neste mesmo dia, quando confirmada a derrota do governo na comissão especial, Lula deixaria Brasília, onde naturalmente deveria ficar para trabalhar a articulação para a votação do plenário da Câmara, em direção ao Rio. A intenção era e é muito clara: dar início a sua campanha antecipada para a presidência em 2018, ou antes disso, a depender do que acontecer hoje e nos próximos dias.
Na semana anterior a esses fatos, Dilma buscava de qualquer forma um acordo com o Partido Progressista (PP), aquele mesmo de Bolsonaro e companhia, numa tentativa desesperada de reverter a votação na já citada comissão especial, o que acabou não se concretizando, pois o PP, um dos partidos mais oportunistas da política brasileira avaliara que era mais interessante se manter na oposição do que embarcar num barco prestes a afundar. Dias antes os Picianes, velhos conhecidos da política carioca, se tornariam velhos aliados da presidente. 
Ontem, 16, ou seja, um dia antes da votação pela a abertura ou não no processo de impeachment no plenário da Câmara, o deputado federal Waldir Maranhão (PP), até então aliado ferrenho de Eduardo Cunha (PMDB), cede às pressões do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), que o ameaça de tomar os cargos no governo do estado sob sua tutela, fazendo com que Waldir não só mudasse seu voto em favor de Dilma, como levasse mais um grupo de deputados.
Hoje, 17, a presidente Dilma se dedica desde cedo a agradar parlamentares, buscando apoio dos “indecisos” para reverter o resultado iminente de abertura do processo de seu impeachment. Um farto café da manhã foi oferecido aos deputados e a outras lideranças de modo a reverter uma velha queixa de que durante anos a presidente nunca se dignara a receber muitos deles. 
Esses são apenas alguns dos episódios que comprovam que mesmo diante de uma crise política tão intensa, tanto o governo quanto os seus inimigos insistem em lançar mão dos velhos expedientes políticos: conchavos, conspirações e ameaças. É como se nada do que tem acontecido tenha servido para uma reflexão sobre os rumos da cultura política que o Brasil tem tomado. 
Não é difícil lembrar que em 2013, quando os protestos tomaram as ruas do país, o discurso da reforma política assumiu o status de prioridade não só na agenda política de Dilma, mas também do Congresso Nacional. Entretanto, a reforma política não foi feita nem naquele momento e nem nesse momento em que parece ainda mais necessária, comprovando mais uma vez que os compromissos assumidos pelos governantes para com o povo tendem a ser facilmente esquecidos.
Mas porque as pessoas não se empenham em fazer a cobrança não só dessa, mas de um sem número de compromissos assumidos por essa turma ao longo de décadas?
Nesse sentido, não se justifica o empenho em torno da defesa de um ou outro lado, reduzindo a discussão a uma dicotomia rasa e que não reflete nem de longe a profundidade da crise. Em verdade, todo esse quadro demonstra as oportunidades que estamos perdendo, ao concentrar esforços em defesa daqueles que, como demonstrei, continuam se valendo de táticas escusas que parecem visar exclusivamente à salvação de suas cabeças. 
Como disse em outra oportunidade, independentemente do resultado de hoje, devemos concentrar nossos esforços em favor dos menos favorecidos, rechaçando os ataques à classe trabalhadora que certamente será perpetrada por quem ocupar o Palácio do Planalto nos próximos anos. Entre Dilma, Temer e Aécio, que vença o povo!