seria uma tempestade criativa?

Diário de Escrita #001 — Um tal de livro novo

Um autor desorganizado tentando manter um diário de escrita sobre seu livro novo desde a primeira ideia.

Tem autor que consegue seguir para um próximo projeto assim que publica o livro. É como se o ato da publicação tirasse a história antiga da cabeça e abrisse espaço para uma nova. Comigo as coisas funcionam de um jeito um pouco diferente. O livro publicado deixa um eco.

Logo após a publicação de “Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues”, comecei a escrever uma continuação direta. Foram algumas tentativas de início até eu entender que aquilo nada mais era do que um eco, minha cabeça tentando me manter preso a uma história que eu já havia terminado. Decidi então deixar o universo do EADB na gaveta por um tempo e buscar uma história completamente diferente. Foi essa decisão que, mais adiante, me levou a escrever o “Ninguém Nasce Herói”. O equivalente ao “ano novo, vida nova” de um autor.

Ciclo concluído mais uma vez. “Ninguém Nasce Herói” está publicado, distribuído, sendo vendido, lido, resenhado. O espaço no hard disk neuronal está liberado para que novas ideias e personagens comecem a se conhecer e formar seus grupinhos de afinidade. Cumprindo a maldição do autor de viver no presente e no futuro ao mesmo tempo, chegou o momento de pensar na próxima história a ser escrita enquanto divulgo aquela que já está pronta.

Não sei se foi por ter ficado bastante satisfeito com o resultado do “Ninguém Nasce Herói”, ou se foi pelo fato de o livro claramente não pedir uma continuação, dessa vez o eco não veio. Na nuvem trovejante de ideias, nada me arrastava de volta para o NNH. Mas isso não quer dizer que foi fácil seguir em frente. O problema foi apenas… diferente.

E qual foi o problema, mister Eric?

Dá para dizer que “Ninguém Nasce Herói” foi o meu primeiro livro Young Adult. Gosto de uma divisão que li certa vez de “livros para adultos” e “livros para todas as idades”, e acho mesmo que o NNH é um livro para todas as idades (acima de 14 anos, vai). E eu não queria que o próximo também fosse um Young Adult simplesmente por uma decisão de mercado. Queria que fosse uma decisão criativa sincera. Então criei um conflito imaginário na minha cabeça: “escrever o que eu queria escrever” x “escrever algo que continuasse a firmar a minha carreira”.

Qual ideia vencerá?

Imaginário porque eu não tinha nenhum projeto em mente. Não existiam duas ideias disputando espaço para criar esse dilema. Pensando agora, com mais distanciamento, acho que foi só um jeito de me autoflagelar no meio de uma crise de ansiedade. Tinha um monte de coisa acontecendo na minha vida pessoal envolvendo emprego, saúde, família, e eu direcionei a ansiedade para um conflito que eu pudesse gerenciar.

Quando esses problemas começaram a se resolver, curiosamente a mente deu uma clareada e eu descobri minha próxima história. Quer dizer, descobri aquela centelha de ideia que pode ou não ter se transformado em um livro daqui a um ano. O importante é que agora eu tenho material bruto para escrever o primeiro capítulo, uma protagonista e uma pista de qual será o seu conflito. É o suficiente para os testes iniciais.

Mas é melhor deixar essa parte para o próximo texto. Se quiser acompanhar esse processo tortuoso, é só ficar ligado aqui no blog e na newsletter.

Inspiração do dia:

“Abandonada pela razão, a fantasia cria monstros absurdos. Unida a ela, é a mãe das artes e a origem de suas maravilhas” — Essa é a legenda da gravura ao lado, do pintor espanhol Francisco Goya, no Museu do Prado.

Acho que não dá para ver, mas nela está escrito “O sono da razão cria monstros”. O artista, o próprio Goya dormindo sobre suas anotações, está prestes a ser tomado por medos, fantasmas, criaturas para ele muito perigosas, coisas do Iluminismo. Em termos literários, aqui no Fantasismo, corujas, linces e morcegos são todos bem-vindos.

A imagem faz parte da série “Caprichos”.

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