Não contém glúten

Tenho medo de altura. E isso não é pouco — é muita coisa. Quando estou em um lugar muito alto começo a imaginar o quão perigoso é o local e a probabilidade (risco) de morte.

Já enfrentei esse medo, já fui em montanha russa e em barcos vickings mas não estou 100% “curado” desse medo.

Sou daqueles loucos que ficam gritando quando algum amigo sobe em cima da laje. Sou desses que evitam olhar pra baixo em uma janela do 23° andar.

Mas gosto da sensação de vencer esse medo. Gosto de me perguntar: — Caraca! Não acredito que fiz isso! Ou até dizer: — Essa é a primeira e última vez, jamais voltaria a fazer tal coisa.

Recentemente tive a primeira experiência de viajar de avião. Era um misto de emoções e questionamentos do tipo: — Se der alguma pane quanto tempo demoraria pra esse avião cair?

Eu passei vergonha. Tenho 19 anos e estava de olhos fechados agradecendo a Deus e orando como fosse a última vez que teria essa oportunidade. Eu estava morrendo de medo ainda em solo quando uma menina de 7 anos ao meu lado começou a perguntar o porque estava com tanto medo. Ou melhor porque estava tão apavorado.

Foram os minutos mais longos da minha vida, turbulências e sensações de queda davam uma certa noção sobre a morte. Mas venci, completei o vôo sem pedir pra descer (como sempre fiz em brinquedos de parques de diversões), consegui até dormir!

Embora contar isso pra vocês seja um pouco “nada a ver”, quero dizer que não estou curado, sei que a cada vôo vai existir uma nova história pra contar, a cada elevador panorâmico um medo diferente, a cada montanha russa uma pergunta: — Aonde eu vim parar?! Mas em todas essas coisas eu quero sempre ter a mesma atitude ir lá e de pouco em pouco vencer a guerra contra o medo de altura.

Hoje é comum em nosso mundo pessoas e restrições andarem lado a lado. Aos veganos uma dieta a base somente de vegetais, aos que comem carne todo dia a falta de variação protéica.

Estamos acostumados a ter TOC’s (transtorno obsessivo e compulsivo) e restrições. Estamos tornando a liberdade da vida em uma enorme cela de usos e costumes, estilos musicais e hábitos alimentares. A vida se torna uma caixa.

Cada vez mais conhecemos pessoas e suas manias um tanto quanto engraçadas. Alguns se colocam na frente da TV e isso é entretenimento, outros a academia e suas batatas doces obsessivas tornam a vida uma vitrine.

Quero convidar a você se libertar. A olhar suas restrições internas e dizer a elas adeus. A fazer uma lista das coisas mais malucas que você já quis fazer e cumpri-las! A olhar pra sua dieta e fazer tudo o que seu médico não recomendaria.

A vida passa — depressa. O ontem já foi e faz pouco tempo que Marty McFly do De volta pro futuro estava embarcando pra 2015.

Meu pai tem restrição alimentar. Hoje o leite dele é especial (zero lactose). E as comidas boas vão deixando de aparecer. Mas meu pai já viveu muito e tenho certeza que os sabores que hoje ele não prova mais ainda estão guardados na memória.

Somos homo sapiens — somos seres que tem vida, temos liberdade de ir, vir ou ficar. Não nascemos com restrições — adquirimos.

Em uma sociedade cheia de restrições te convido a sair do seu mundo, sair do seu feed de amigos, ir na rua descalço, tomar banho de mangueira, saltar de para-quedas, curtir uma boa noite de cinema com alguém especial (ou não), tomar café com um amigo mesmo que o café não seja a melhor coisa do mundo. Te convido a sorrir mais.

Esse é um convite a ser radical, aprender uma nova cultura, experimentar um gosto diferente, acampar na praia, ter novos amigos, ter gente pra conversar de política e economia e ter amigos que te levam pra saltar de bang jump. Ou seja: viver a vida — sem restrições. Porque como diria Gonzaguinha precisamos viver e não ter vergonha de ser feliz porque a vida é bonita, é bonita e é bonita!

Trilha Sonora: Gonzaguinha — É/O que é, o que é?


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