O Desespero e a Eternidade.

O relógio desde que foi inventado nunca parou. Constante e em seu desesperador controle fez com que o homem que outrora seguia a luz do sol, soubesse o momento no qual se encontrara.

Na infinitude do espaço nós quantificamos a vida em dias, meses, anos, décadas, séculos e milênios. Na sombra de estar sempre em atraso e no desejo de numericamente estar certo e confiante das honrarias de seus compromissos nós saímos dos relógios da Igreja e os colocamos no bolso, mas ora, isso ainda era pouco pois precisávamos ter a noção quantificada do espaço no pulso e assim suceder a criação do estar atrasado ou não.

Pelo menos uma vez nós recordamos que nascemos um dia. Talvez esse correr nos impeça de valorizar a vida constantemente, mas como é bom aguardar ansiosamente o dia do seu aniversário e relembrar que o tempo não parou e você está mais perto do fim do que antes.

É difícil olhar e imaginar a eternidade, ela não cabe em meu Smartphone nem muito menos no meu relógio de pulso. A eternidade não é quantificável ou o que a torna mais perturbadora é que no eterno não existem traços que o delimitam, a eternidade simplesmente é um tempo que nunca para e nunca parará. A eternidade é devastadoramente enorme.

Nunca parei para pensar sobre a eternidade, embora seja essa uma das promessas do Criador. Ele nos diz em Apocalipse 2.7 que quem vencer Ele daria o direito de comer da árvore da vida (Gn 3.22). Ele nos prometeu que seríamos eternos (Sl 22.26). Será que assim nós deixaríamos de correr apressados contra o tempo? Será que assim conseguiríamos desfrutar da vida?

Minha mesquinha tentativa de imaginar o Eterno e sua eternidade se dá ao desespero de tentar ser eterno. Será que é possível amar alguém eternamente? — Não, respondi a mim mesmo. Eu não conseguiria imaginar amá-lo eternamente, bem como não consigo imaginar não amá-lo por uma eternidade esse gracioso Deus.

Talvez falta-se um amor que me jogasse desesperadamente para não perder uma corrida que é única e exclusivamente minha. Falta um amor onde os livros não conseguiriam escrever sobre. Faltava um amor no qual constantemente o abismo de desejo se alargasse em larga escala no tocante a profundidade de querer te-lo mais.

Foi ai que eu percebi que meu maior medo era de me perder em meio ao tempo.

Olhei em meio aos meus planos e vi que os mesmos não passam de décadas e perturbadoramente tive a sensação de perdê-Lo por um dia.

Sabe, meus planos finitos não passam de instantes e isso me fez perceber que eu planejava tudo e ao mesmo tempo nada. Planejava as próximas temporadas e esquecia que na real o que eu precisava me preparar mesmo era pra dias onde não terei relógios que contem horas, dias que duram muito mais que 24horas, onde o tempo é tão grande que nem nos preocuparemos em conta-lo.

Precisava do choque de realidade que mostrasse que todo o dia na eternidade será festa e que meu pouco valor para isso é devidamente equivocado. Precisava me preparar para uma festa, uma festa que de verdade não terá hora pra acabar.

É desesperador não ser eterno, bem como é desesperador essa finitude de dias serem relevante e significantemente importantes para dias sem fim. E se talvez meu medo era não conseguir chegar ao final, hoje quero saber como posso fazer minha jornada da melhor maneira possível.

Se ontem faltava amor, hoje transborda-se a falta, se ontem faltou-se tempo, hoje o relógio está contra mim.

Minha oração é para que sempre haja tempo para ama-Lo cada vez mais e que falte tempo para muita coisa, mas que meu coração nunca se atrase para ter esse amor que certamente ocupará todo o meu tempo.


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