
O encontro do cumpadre
por Porquinho
Várias pessoas de pé.
Não foi gol.
A bola bateu no travessão.
Todos estão vidrados nisso, menos Washington, ele só pensa no coito, algo implícito no encontro de hoje, a troca de mensagens com a moça deixou claro que isso era uma mera formalidade, em breve o cão iria chupar manga.
O plano corria bem, mas um detalhe o deixou com medo da criatura que estava com ele.
Ela pediu uma dose de Campari.
“Acho tão diferente pedir isso. Normalmente o povo só faz piada.”
Falou trivialmente, esperava que a sua companhia concordasse.
“Quais piadas?”
Pensou em pegar o copo e jogar a bebida na roupa dela, como fazem na propaganda.
Uma gota de suor brotou na sua têmpora.
“Nunca entrei numa piscina de bolinhas”.
Retrucou malandramente para esquivar do assunto e de ter que explicar o porquê de jogar a bebida nela.
Existe uma certa resiliência no hábito de beber uma bebida tão amarga e com a cor tão boa.
O tipo de hábito que dá a sensação de empoderamento por exigir um paladar tão maduro.
Isso com certeza o deixava mais interessado nela, pensava em como começar a esquentar as coisas.
O alpendre seria uma boa opção, está perto de onde eles estavam, mas já era caminho para o mal caminho.
Como grande cinéfilo que era, ficou relembrando de filmes, pensando em imitar personagens para fechar a conta e por o plano em prática.
“Vamos tirar uma foto lá fora? Está iluminado e o meu celular só tira foto em lugar aberto. Está com problema na bateria que não dá a amperagem para o flash.”
A pergunta era um vitupério para a inteligência dela, mas se a pachorra iria acabar em siricutico, ela embarcaria na onda.
“Vamo sim! Preciso ter uma foto ou então ninguém vai acreditar com quem eu saí”
Ele ficou sem graça, mas já estava acostumado era a deixa pra mandar o seu bordão.
“Sabe de nada, inocente.”
Assim partiu o Washington, o Cumpadre do Beto, direto do alpendre para o motel.
Esse texto foi escrito para o Desafio de Retadores que acontece todo mês com todos os redatores da Hotmart.

