Criatividade: no final, basicamente, em nosso negócio, tudo se trata disto.

Um painel com criativos desenvolveu o tema de como gerenciar equipes e a criatividade dentro das agências.

Estavam presentes:
• Susan Credle, Global Chief Creative Officer, FCB
• Chuck McBride, Founder and CEO, Cutwater
• Gustavo Sarkis, ECD, CP&B, Miami

Como aqui isso se trata de explorar conteúdo muito mais do que uma reportagem jornalística, vou fazer um apanhando do que considerei o melhor, em 10 mais significativas frases capturadas por mim (E usarei o mesmo critério em outros painéis, adiante):

1. “Criatividade tem de ser uma “causa” de toda a agência. Muito maior, assim, que uma causa da criação. Todos os profissionais tem que se envolver e lutar pelas ideias criativas. Pela aprovação. Pela realização. Pela produção. Pela divulgação. Pelo sucesso.”

2. “A criação como departamento, como lógica, tem que mudar seu modo de ver o mundo. Tem que se envolver com o negócio do cliente. Tem que se entender fazendo parte desse mesmo negócio, como parte importantíssima na solução mercadológica. Tem que atuar como agente fundamental na construção da marca do cliente. O tempo charmoso do genial burocrata da criação definitivamente terminou”.

3. “O líder criativo não é mais aquele criador onipotente tipo Donald Draper. Ao contrário, é um orientador, um abridor de caminhos, um desbravador de possibilidades. Um cara que faz sua equipe transitar entre o conforto de um padrão criativo sempre alto e o desconforto da necessidade de inovação, de disrupção, de evolução permanente.”

4. “A criação tem que se ver mais como realizadores do que simplesmente uma “Idea People”. Todos tem que se entender como videomakers, soundmakers, filmakers, fotógrafos e quetais. Nesse sentido, vale destacar, em nossa agência (C,P+B) desenvolvemos tecnologia/metodologia próprias para a produção de pequenas peças, coisas para a web, conteúdo dirigido, etc.”

5. “Não vejo o criativo como um explorador de plataformas digitais, como alguém que tem que estar buscando os últimos recursos do Facebook, do Instagram, do Periscope… Um grande criativo é aquele que sabe definir e contar uma história, explorando os recursos de plataforma que a agência como um todo (sic!) define.”

6. “Um brainstorm importante é um exercício de catarse. Na agência, temos uma sala especial para Brainstorming. Nela, criamos profundamente o universo da marca. Desenhamos as pessoas que queremos impactar. Colocamos “suas fotos” nas paredes. Ilustramos com notícias sobre elas. Debatemos seu comportamento. Pensamos como seriam suas casas. Não analisamos gráficos, nem dados. Trabalhamos com a sensibilidade. Como nossa marca é importante em suas vidas, quais os momentos de consumo, como elas compram, o quanto de indulgência, de emoção, de engajamento pode haver no consumo. Mergulhamos fundo no universo das pessoas e as ideias múltiplas afloram como girassóis.”

7. “O primeiro trabalho do líder criativo é se livrar de criativos preguiçosos!”

8. “Ter diferentes perfis criativos é trazer para o trabalho diferentes habilidades, diferentes pontos de vista, diferentes experiências e vivências. Diversidade é um exercício que veio para ficar. Um time múltiplo é um time complementar, vencedor.”

9. “A demanda por criação estratégica é cada vez maior. Os clientes estão precisando de ideias que fazem a diferença, que tirem a marca deles do marasmo, do nada, do pântano. Nosso negócio, afinal e no final, é só criação.”

10.”Quando uma ideia é boa? Ora, todo mundo sabe quando uma ideia é boa. Não precisa de critérios nem classificação. É boa. Toca. Emociona. Faz pensar. Me move em direção à marca. Uma ideia quando não é boa, precisa de explicação. Uma ideia é boa quando é boa e ponto final.


Luciano Vignoli é Diretor-Presidente e Planejamento da e21
luciano@e21.com.br