Perfect World: o amor é para imperfeitos

fake asian
Jul 9 · 6 min read
Será que o cartaz oficial do dorama já é um spoiler?

O que aconteceria se a vida te desse uma segunda chance e você pudesse reencontrar seu grande amor da adolescência e viver todos os momentos apaixonados que não pode viver naquela época? Você aceitaria? Mesmo que seu grande amor agora não pudesse andar?

Este é o enredo central de Perfect World, mangá josei que conta a história de amor de Kawana Tsugumi com seu senpai da escola, Ayukawa Itsuki, agora um bem sucedido arquiteto e cadeirante. Em 2018 a história foi adaptada para o cinema e neste ano ganhou uma adaptação para a TV, em formato de dorama.

Tive o primeiro contato com estes personagens através do mangá, em 2017, devorei todos os capítulos traduzidos para português e depois segui lendo a história em inglês. O mangá ainda não está finalizado no Japão, mas a autora, Rie Aruga, já declarou no seu perfil pessoal no Twitter que pretende finalizar sua obra em 2020.

Capas dos três primeiros volumes do mangá.

Perfect World começou a ser publicado em 2014 na revista Kiss, da Kondasha, e em 2016 já apareceu na bem conceituada lista Kono Manga ga Sugoi! Para construir seu enredo, Rie Aruga pesquisou muita a vida de pessoas com paralisia medular para mostrar com maior realismo o cotidiano de Itsuki. Além disso, ao longo da história, outros personagens com diferentes necessidades especiais vão aparecendo, mostrando como é a vida dessas pessoas no Japão e todas as dificuldades e preconceitos pelos quais elas passam todos os dias. Infelizmente o mangá não foi lançado no Brasil, mas existem algumas fansubs que fazem sua tradução para português.

Tsugumi e Itsuki no cinema.

Em 2018, Perfect World chegou aos cinemas, com Iwata Takanori (EXILE) e Sugisaki Hana como protagonistas. O filme fez bastante sucesso no Japão e a visibilidade da história só aumentou. Eu gostei bastante de como a adaptação foi desenvolvida, os aspectos básicos do enredo original foram mantidos, alguns personagens foram retirados, já que por ser um filme nem todos os núcleos secundários podem aparecer. A atuação do casal de protagonistas foi impecável, admiro muito o trabalho da Sugisaki Hana, uma jovem atriz que já provou ser talentosa em trabalhos anteriores, e óbvio, foi maravilhoso ver Iwata Takanori em cena, lindo, talentoso… difícil achar um defeito nesse homem.

Em abril deste ano, Perfect World chegou a TV, como dorama, pela Fuji TV. E é sobre essa adaptação que eu quero realmente falar.

Perfect World
Título em Japonês: パーフェクトワールド
Diretores: Miyake Yoshishige, Shiraki Keiichiro
Roteirista: Nakatani Mayumi
Episódios: 10
Emissora: Fuji TV

Sinopse: O arquiteto Ayukawa Itsuki está paralisado da cintura para baixo. Embora ele fosse o craque do time de basquete no colegial, machucou sua medula espinhal em um acidente, enquanto estava no terceiro ano na universidade. Depois disso, decidiu que não jogaria basquete ou se apaixonaria novamente porque está em uma cadeira de rodas. Itsuki foi colega de classe de Kawana Tsugumi e seu primeiro amor. Tsugumi gostava de desenhar e sua ambição era entrar na faculdade de arte. Mas ela não tinha confiança e desistiu do exame. Mesmo entrando em uma empresa de design de interiores, é apenas uma assistente. Itsuki e Tsugumi voltam a se encontrar em um jantar de trabalho. Os dois são atraídos um pelo outro. No entanto, eles enfrentam problemas, incluindo pais desaprovadores, o surgimento de um rival amoroso e de doenças, à medida que buscam o sentido da felicidade. (Fonte: My Drama List)

Itsuki e Tsugumi agora no dorama da Fuji TV.

Desde abril estou totalmente mergulhada nesse dorama, a cada episódio meu envolvimento só aumentou, eu passava toda a semana ansiosa para saber o que ia acontecer com Tsugumi e Itsuki. Perfect World não mostra um típico casal de histórias românticas. Itsuki, após quase morrer depois de ser atropelado, passou meses no hospital e teve que ser extremamente forte para seguir da reabilitação, continuar a faculdade, ter um emprego, morar sozinho. Apesar de aparentar ser muito forte, ele se considera fraco e indigno para o amor, já que não conseguiria ser um “namorado normal”. Tsugumi é uma mulher com problemas de autoestima, criada dentro de um lar superprotetor, ela vive dentro de seus processos de auto sabotagem, pensando que nunca será uma boa profissional. Ao mesmo tempo não consegue se sentir digna para o amor, já que pensa ser feia, burra e incompetente demais para ser amada por alguém.

Após o encontro casual num jantar de negócios, Tsugumi volta a ter contado com Itsuki, e o amor que manteve em sua adolescência retorna com tudo. Ela tenta, de uma maneira meio desajeitada, se aproximar de Itsuki, mas ele desde o início é muito verdadeiro e fala não querer um relacionamento e mostra todas as dificuldades de viver com uma pessoa que tenha paralisia medular. Quando o casal finalmente consegue viver esse amor e se entrega a paixão, o mundo a sua volta não se mostra feliz com esse casal tão incomum. Os obstáculos são muitos: a família de Tsugumi, as doenças de Itsuki, o amor de Koreeda por Tsugumi, o ciúmes de Nagasawa Aoi. Mas o problema principal é que tanto Tsugumi e Itsuki não se sentem preparados para enfrentar as dificuldades para ficarem juntos.

Uma família feliz: Itsuki, Tsugumi e Chika.

Os dois tem um grande problema de encarar suas vulnerabilidades, algo bem comum na nossa atualidade, o que nos faz ter uma grande empatia com o casal. Em inúmeras cenas podemos nos identificar com as indecisões, lágrimas, isolamentos e auto sabotagens de Itsuki e Tsugumi. Ao longo da trama, os dois passam por muitos desafios, externos e internos, para conseguirem aprender a lutar pelo seu amor. Tsugumi aprender a se amar, ver que é competente e que precisa ser a namorada e não a cuidadora de Itsuki, e Itsuki aprende a se amar, entender que não é errado amar alguém e que amar não é proteger apenas fisicamente alguém.

O enredo do dorama foi muito fiel aos capítulos já publicados do mangá, pouquíssimas coisas foram mudadas, e estas pequenas mudanças foram super positivas, pois conseguiram dar mais ritmo e veracidade a história. Gostei muito da escolha do elenco, quando li as primeiras notícias que Matsuzaka Tori iria interpretar Itsuki eu dei pulos de felicidade, já que ele é um dos meus atores favoritos. Mais uma vez ele provou ser mais que um rostinho bonito (e um corpinho bonito também), conseguiu dosar muito bem os momentos de dramaticidade, além de mostrar o crescimento de Itsuki ao longo da história. Também amei Yamamoto Mizuki como Tsugumi, ela foi de uma delicadeza e sensibilidade imensa na sua atuação, conseguiu criar uma protagonista que nos gera empatia, ela não caiu no erro de fazer uma “mocinha sofredora”, apesar de Tsugumi ser muito emotiva e indecisa.

Perfect World nos faz entender que a perfeição é uma grande mentira no nosso mundo, cada ser humano é único e merece ser amado, cuidado, respeitado, dentro das suas individualidades. E que para amar precisamos aceitar nossas vulnerabilidades, só assim podemos nos autoconhecer, nos respeitar, nos amar, nos fortalecer, crescer e então estarmos prontos para amar e enfrentar com coragem os desafios de dividir a vida com alguém. Como Brené Brown diz:

“Uma mulher que fica ao lado de um homem cheio de constrangimento, medo e dor é uma mulher que evoluiu e entendeu que o poder não vem dele. Um homem que permanece do lado de uma mulher cheia de defeitos e medos sem querer consertá-la, que só a escuta, percebeu que seu poder não vem de tentar consertar as coisas a seu redor”.

Tsugumi e Itsuki abraçaram suas vulnerabilidades e assim tiveram a coragem de lutar pelo seu amor imperfeito, num mundo que exige a perfeição.

Dorama e filme: Mahal Fansub.
Mangá: Union Mangá.


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Blog que busca uma crítica além do óbvio da cultura pop asiática.

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professorinha experiente & tradutora iniciante, vejo muitos dramas asiáticos e gosto de falar sobre eles.

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