Entrevista: Quão importante é a ComArtes UFRJ pra quem veio de fora do Rio?

Sentir-se em casa é algo muito valioso e desejado. Quando recebemos alguém que nos é importante, desejamos que se sinta em casa como forma de confortar, aproximar e fazer do ambiente o mais agradável possível. Porém, nem sempre isso é fácil: por maior que seja o nosso esforço, há momentos em que se sentir bem em um lugar que não é seu é impossível. A solução? Tornar, qualquer que seja o lugar, seu.
Não, o Blog do Bruce não virou uma página de auto-ajuda. Mas calma que a gente explica: com uma nova leva de calouros (alguns, como sempre, de fora do Rio de Janeiro), pode ser que se sentir em casa em uma cidade diferente seja um problema. Para isso, esta matéria especial vai trazer 5 entrevistados de honra, originalmente de Minas Gerais, Goiás, Bahia e São Paulo para contar de que forma a Atlética de Comunicação e Artes da UFRJ os ajudou na adaptação, deixando seus corações cada vez mais reconfortados e, obviamente, russo-negros.
A primeira pessoa que falou com a gente foi a baiana Clara Amim. Nossa ex-diretora financeira contou que foi o esporte que impulsionou seu interesse pela Atlética de Comunicação e Artes da UFRJ:
“O primeiro sentimento que você tem com a Atlética é identificação, principalmente pra quem é de fora. É um espaço que possui um público misto, assim como a universidade, mas com idade semelhante, contexto semelhante e a mesma vontade de jogar, seja por você, por prazer, pela prática de uma atividade física, pela vontade de jogar pela UFRJ, pela vontade de aprender um novo esporte, enfim. É uma euforia que faz você se deslocar num domingo de manhã, em uma terça à noite, ou até mesmo numa madrugada de quarta-feira simplesmente pra vestir a camisa e o que vem com ela.”

“Entrei em 2015 e comecei a treinar antes das aulas começarem. Em 2016 já vendia pacotes dos Jogos Universitários de Comunicação Social-JUCS, e já ajudava com tudo que acontecia na Reitoria”, disse ela.
Poliatleta e estudante de Arquitetura, a baiana também falou um pouco do que a instituição representa:
“Acho que a Atlética é algo que cresce diferente em cada um, mas que surpreende enormemente. Quando passei pra faculdade pensava em como seria minha vida em outra cidade. Descobri depois que podia treinar e estudar, construir também esse espaço de prática esportiva e universitária e, mais ainda, exercer uma atividade na qual podia colocar o que penso em prática, criar espaços que instiguem os outros a desacomodar e aproveitar todas as plataformas que a universidade oferece, que são o trabalho acadêmico, profissional e com a sociedade. É uma porta que existe pra quem quiser abrir, pra quem tem vontade, curiosidade, proatividade, quer aprender, ajudar. É um espaço de mostrar valores, crescer em grupo, de aprender a trabalhar com críticas e se posicionar não só em quadra, mas na vida profissional.”
Diretamente de Guarulhos-SP, Caio Yuiti, Diretor de Esportes e atleta do Futebol de Campo e de Tênis de Mesa, fez questão de ressaltar como sua entrada na Atlética de Comunicação e Artes foi importante na adaptação:
“100% das pessoas que vêm estudar no Rio chegam sozinhas. Independente do nível, mais ou menos isoladas, enfim. A dinâmica da vida é completamente diferente de quem já é estabelecido na cidade, de quem cresceu no Rio. Isso porque os círculos de amigos que você cria na infância são, de certa forma, abruptamente cortados por conta da distância e isso limita suas relações pessoais, em um primeiro momento. Alguns se enturmam mais facilmente, outros não, mas há esse desafio. É muito importante desde o primeiro momento que se entra na faculdade o sentir-se parte de algo, e a Atlética entra nesse momento: são pessoas que não precisam estar com a gente, não necessariamente têm as mesmas motivações e vontades, preferências, pessoas completamente diferentes e que, sem motivo aparente, se unem. É como se uma grande família se formasse. Te reconforta, é como um abraço de mãe. Te faz sentir bem, seguro, e certo de que é dessa forma que você quer passar o período universitário.”

Caio, corintiano, hoje não consegue acompanhar seu time no estádio com frequência. Para suprir essa ausência, porém, é frequentador das arquibancadas no Rio, e onde Bruce estiver.
A Atlética de Comunicação e Artes da UFRJ, hoje, conta com 6 diretorias e diversas pessoas extremamente engajadas e apaixonadas pela experiência. Mas nem sempre foi assim. Com 6 anos de vida, seu principal motor sempre foi os alunos da Federal do Rio. O mineiro João Vítor Castanheira, que chegou quando a Atlética tinha acabado de nascer, seguiu a linha de Caio e falou em “refúgio”, ao definir a instituição:
“Cara, a Atlética sempre foi meu refúgio. Eu cheguei em um momento de virada de ciclo, ela quase não existia na Escola de Comunicação-ECO. Então eu demorei pra engatar. E não foi coincidência: antes de eu entrar, de fato, nos times, eu tentei sair da ECO algumas vezes. Até cheguei a olhar outras faculdades, mas não deu. Aí a Atlética me abraçou e essa vontade de sair do Rio sumiu. Não tem como dar errado, é um grupo de pessoas que têm basicamente três coisas em comum: o amor pelo esporte, pela “quizumba”e pela vontade de fazer a diferença. Tem como não se identificar?”

“É muito amor. Amor, amor e amor. No meu caso, pelo esporte, pela vontade de mudar a realidade do esporte universitário, que tanto me deu.”, disse Castanheira.
Castanheira, como é chamado por todos na faculdade, hoje é Diretor de Esportes e atleta de Futsal e Futebol de Campo, além de apaixonado pelos Tubarões da UFRJ.
Cruzeirense e mineira, Rayane Rocha entrou na UFRJ em 2017.2. Antes disso, porém, foi que começou seu afeto pela Atlética de ComArtes, quando recebeu um presente: era “uma cartinha super fofa”, em suas palavras, e um Kit com vários produtos do Tubarão. A surpresa havia sido encomendada por seu namorado na época, logo quando ela passou para a UFRJ, e isso acabou alavancando seu sentimento e identificação:

“É proporcionar encontros que eu muito provavelmente não teria não fosse a Atlética, e funciona até um pouco como válvula de escape.”, contou Rayane, ao definir a Atlética para ela.
“Entraram (a Atlética) em contato comigo, ficamos conversando até as aulas começarem, postaram meu presente nas redes sociais. Então quando eu cheguei na faculdade, na primeira semana, várias pessoas já vieram falar comigo, eu virei a “caloura do Kit”. Isso foi muito bom, porque era meio que uma atração, o que me fez querer ficar mais próximo da Atlética. Quando eu ainda estava na fase de inscrição nas disciplinas, já tinha me inscrito pra participar na Diretoria de Eventos. Entrei na bateria logo cedo, rapidamente me incluí nesse ambiente da Atlética. O carinho que tiveram comigo, tudo o que fizeram, também foi fundamental pra expandir meu ciclo de amigos, fora da minha sala.”
Animada, do tamborim, engajada e sempre presente: Isabela Rocha, de Goiânia-GO, também não é atleta, mas é da bateria. Contemporânea de Rayane, ela já entrou com uma ideia positiva de atléticas universitárias, mas não queria se envolver no primeiro período. O foco, primeiro, era a adaptação, mas depois não teve jeito: nas primeiras férias, antes mesmo do segundo período, Isabela já fazia parte da bateria e conhecia alguns integrantes da Instituição. O convite para a Diretoria de Operacional logo veio, e a goiana não deixou passar:
“Fiquei um pouco assustada no começo, porque ainda não tinha desenvolvido 100% da minha responsabilidade. Teria que lidar com coisas que nunca tinha feito na vida mas, como eu nunca fui muito organizada, achei que pudesse me ajudar. Quando entrei, por eu ter me envolvido mais, me senti bem mais acolhida. Você conhece gente de outros períodos, pessoas que talvez se identifique mais que quem entrou junto com você, por exemplo.”

“Eu sentia que realmente estava fazendo algo de útil, estava amadurecendo e aprendendo coisas novas, apesar daquilo não estar 100% ligado ao meio acadêmico. Me fez muito bem.”, contou Isabela.
Isabela também enfatizou a importância da Atlética de Comunicação e Artes pra quem é de fora do Rio:
“Muita gente que entra na Atlética é de fora, então há a oportunidade de conhecer gente que tem a mesma realidade que você, e que se você não estivesse ali, provavelmente não conheceria. Foi também muito importante e útil pra mim porque o segundo período na faculdade foi extremamente complicado, então estar na Atlética nessa época me ajudou demais. Além do sentimento de pertencimento maior que eu tive, depois que entrei.”
Isabela, Clara, Caio, Castanheira e Rayane vieram de fora do Rio mas se encontraram. E a Atlética de Comunicação e Artes da UFRJ teve papel fundamental nessa adaptação. Fez com que eles se sentissem em casa. Que tal se juntar aos Tubarões?

