Livros — Os meus “5 estrelas” de 2018

Plastico
Jan 31 · 5 min read

Em 2017 eu disse que seria pouco provável que eu conseguisse repetir a façanha de ler 26.

Em 2018 esta façanha não foi apenas atingida, mas também superada.

Posso ter chegado no meu limite anual? Talvez, mas ainda é cedo pra dizer.


Desse listão, eu estava quase esquecendo de listar os Top 5, então estou corrigindo isso agora.

Os critérios que eu uso para avaliar um livro como “5 Estrelas” são:

O assunto do livro precisa me surpreender.

A leitura não pode ser entediante.

Com estes dois critérios em mente, esta é a lista dos “ganhadores” de 2018:

Os Caçadores de Vênus — Andrea Wulf

Comprei este livro em um “saldão” em um Shopping do lado do trabalho, paguei R$10 e foi uma das melhores relações custo/benefício do ano, senão a melhor.

Este livro mostra como era difícil fazer ciência nos séculos XVIII e XIX.

Nele é descrito quão grande foram os esforços de Astrônomos ao redor mundo para conseguir observar e medir o Trânsito de Vênus, um evento que só acontece duas vezes em cada século.

Um “trânsito planetário” é o nome que se dá a observação feita da passagem de um planeta entre a terra e uma outra estrela. No caso do Sol, observamos Mercúrio e Vênus, mas esta observação também pode ser feita para identificar planetas orbitando ao redor de estrelas distantes.

A importância da observação do Trânsito de Venus é que, com esta observação seria possível calcular pela primeira vez a distância entre a Terra e o Sol, sendo possível com isto calcular outras distâncias dentro do Sistema Solar.

O Século XXI já teve suas duas passagens em 2004 e 2012, o próximo trânsito observável agora só em 2117.

Hoje este fenômeno é facilmente observado por satélites orbitando a Terra, mas a dois séculos atrás ele era feito com telescópios precários e condições adversas do clima e é isto que tornou este livro tão bom na minha opinião.


Guia politicamente incorreto da história do Brasil — Leandro Narloch

De leitura fácil, com toques de humor em alguns ponto, mas com informações sérias e precisas quando necessário, este livro me mostrou que muitas das coisas que eu vi nos meu tempos de escola e que muitos ainda tomam como verdade, não são.

Santos Dumont não inventou o avião, Zumbi dos Palmares tinha escravos.

Muitas pessoas criticam esta obra por mostrar uma visão diferente de alguns dos chamados “Heróis Nacionais”, mas em defesa do autor, os relatos neste livro nada mais são do que baseados em documentos históricos sobre tais pessoas e desmistificar tais histórias que ainda são contadas nas aulas de história.

Nunca é tarde para saber a verdade, vale muito a pena ler.


Irresistível — Adam Alter

Melhor livro que eu li em 2018.

Um tapa na cara da sociedade moderna.

Este livro explica de forma bastante detalhada como estamos nos tornando cada vez mais escravos da tecnologia e mostra alguns casos extremos que já estão sendo até submetidos a tratamento psicológico.

Gostei tanto que escrevi um pouco sobre ele aqui.


Logo, Logo — Kelly Weinersmith e Zach Weinersmith

Ótimo livro.

O co-autor deste livro é Zach Weinersmith, que publica ótimas tirinhas em sua página “SMBC Comics” nas Redes Sociais, sua esposa Kelly é bióloga especializada em parasitas.

Eles resolveram trabalhar juntos e publicar um livro que fala sobre 10 tecnologias que poderemos ver funcionando num futuro próximo e que vão elevar a humanidade a um novo patamar.

Entrando em contato com diversas pessoas do meio acadêmico, eles descobriram quais as chances reais destas tecnologias se tornarem realidade e em que pé estamos nas pesquisar, sempre com ótimos comentários e tirinhas ao longo do texto para satirizar alguma informação controversa.

Diversão garantida.


A Espiral da Morte — Claudio Angelo

Claudio Angelo é Brasileiro, repórter da Folha de São Paulo para assuntos relacionados ao meio-ambiente, e viajou a diversos países pra ver com os próprios olhos os sinais do Aquecimento Global que muitos afirmam que não existe e explica tudo em detalhes neste livro.

Nada melhor do observações empíricas para refutar quem não acredita no que está acontecendo com o nosso planeta.

De quebra ele ainda publica um relato bastante detalhado do que aconteceu com a Estação Antártica Comandante Ferraz no episódio do Incêndio de 2012.

Assunto bem interessante e esclarecedor, vale muito a pena.


Menção Honrosa

A marca da vitória — Phil Knight

Este livro não ganhou 5 Estrelas porque não atendeu aos critérios que eu defini, mas ainda assim é um livro muito bom.

Phil Knight (que eu tenho quase certeza que não foi ele que escreveu) conta a história da criação da Nike, algumas vezes com um certo romantismo além da conta, mas tudo bem.

Fala de todos os percalços que a empresa enfrentou, dos desafios dos primeiros anos de empresa para continuar crescendo. É muito interessante ver como uma gigante começou e o quão interessante foi.

A paixão com que Phil conta a história da sua empresa é tamanha que eu terminei de ler o livro e quase senti vontade de mandar meu currículo para trabalhar lá.

Vale a leitura pela curiosidade.


Menção “Desonrosa”

O Herói de Mil Faces — Joseph Campbell

A conclusão que eu cheguei com este livro foi que Joseph Campbell está num nível de erudição que eu nunca vou alcançar.

Alguns trechos do livro eram tão incompreensíveis pra mim que me perguntava se realmente estava escrito em língua portuguesa.

Além disto ele não teve a mínima consideração de fazer uma introdução sobre cada uma das mitologias que ele aborda, partindo da premissa que o leitor tinha tanta bagagem quanto ele, o que não era o meu caso.

As idéias são desconexas, o mesmo assunto vai e volta diversas vezes ao longo do livro tornando a leitura bastante cansativa.

Além de tudo, na minha opinião, muitas das justificativas foram bastante forçadas sobre “A Jornada do Herói” e outros recursos literários que sempre se repetem como ele diz. Parece que em alguns momentos ele “tirou leite de pedra” para justificar um ponto.

Uma dica: fique com as milhares de versões resumidas que existem internet afora, você não está perdendo nada.

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