Ciclo Outras Histórias do Feminismo — Forças Plurais | Dicas de leitura

A Blooks está, ao longo do mês de março, promovendo o Ciclo Outras Histórias do Feminismo — Forças Plurais (Clique para saber mais!), em comemoração do Dia Internacional da Mulher, realizando debates sobre o feminismo.

Pensando nisso a Blooks traz 4 dicas de livros para você colocar as ideias em dia e participar dessa série de encontros. Destaque para o livro UPP — Redução da favela em três letras, de Marielle Franco.

UPP — Redução da favela em três letras

Em meio à desesperança e ao sentimento de impotência que tentam se impor desde que nos arrancaram à força da bala essa gigante chamada Marielle, toda uma sociedade busca se reestruturar. É um doloroso caminho transformar luto em luta e seguir lutando e enxugando as lágrimas.
A urgência de luta da mulher negra estava expressa também nas movimentações da parlamentar, eleita com mais de 46 mil votos na cidade do Rio de Janeiro.

A urgência de mover estruturas, gritando aos quatro ventos o que sofre, esperando que, na possibilidade de ser ouvida, muitas vidas se transformem. É o que nos move cotidianamente e em cada espaço que transitamos. É por isso que revisitar o percurso teórico e metodológico proposto por Marielle nos dá acesso a um registro único do que significa a militarização da vida nos territórios favelados.

O que nos move até aqui é a luta constante pela vida e pela liberdade dos moradores e das moradoras de favelas e periferias, no Rio ou em qualquer canto deste imenso Brasil. Quando conheci Marielle, ela já integrava a Comissão de Direitos Humanos da Alerj. Eu havia entrado no movimento pelos Direitos Humanos nas favelas por ocasião da Chacina do Borel, quando quatro jovens foram assassinados após incursão policial sem nem mesmo terem conseguido se identificar. Naquele momento, a barbárie fez acender a luta, e o movimento “Posso me identificar” também foi um marco de dor, semente para a organização das muitas lutas de mães vítimas da violência do Estado.

Marielle não demorou muito a se tornar uma referência e dona de um dos telefones mais acionados pelas lideranças de favelas. Algumas vezes ouviu o meu desabafo sobre como era doloroso viver a repetição das angústias a cada nova ligação. Ao menos dez anos se passaram até que, no apagar das luzes de 2016, depois da campanha vitoriosa, recebi o telefonema de Marielle com o convite para fazer parte da Mandata Marielle Franco, minha primeira experiência em um gabinete, e que experiência!

Em pouco mais de um ano vivemos uma construção pulsante, experimentando a cada dia um novo modo de fazer política, colocando “os/as invisíveis” pra dentro daquele palácio no meio da Cinelândia. E isso de muitas formas: projetos de lei, de resolução, homenagens, audiências públicas e a transformação da Comissão da Mulher em importante mecanismo de diálogo com a população feminina da cidade.

Ainda mais marcante foi a experiência daquela equipe de pretas e pretos, lgbts, a primeira mulher trans nomeada na casa, favelados e faveladas andando de cabeça erguida e aquela voz preenchendo o plenário — branco, misógino e completamente alheio ao bem comum.

Marielle Franco era demais para aquele espaço, tão grande que atraiu o ódio destinado àqueles/as dos/das quais esse Estado se envergonha e aniquila com a ausência de direitos. Uma ausência programada e arquitetada todos os dias nos palácios, em todas as esferas.

Com a vereadora Marielle Franco aprendemos a transformar a urgência em mobilização e vimos que é possível incidir na vida das pessoas, ouvindo-as e trazendo-as para perto. Ela deu um passo para um horizonte do qual não retrocederemos até que vejamos a primavera. Tentaram nos calar e amedrontar, mas ampliaram a nossa voz e o desejo de construir um projeto de sociedade em que caibamos todos e todas, vivos. Marielle, presente! Hoje e sempre!

Mônica Francisco


Patriarcado, civilização e as origens do gênero

Este ensaio do filósofo anarquista John Zerzan foi publicado na revista Gênero & Direito v. 1, n. 2, em 2011, e traduzido por Loreley Garcia. O ensaio trata sobre a relação entre crítica à civilização e crítica à imposição de papéis de gênero no patriarcado.


Alisando o nosso Cabelo

Especialmente as mulheres negras e os homens negros, assim como tantas militantes e pesquisadoras das temáticas de gênero e étnico-racial, problematizar, assumir e valorizar o cabelo crespo é uma postura política individual e coletiva.


Olhares negros, raça e representação

Na coletânea de ensaios críticos reunidos em Olhares negros, bell hooks interroga narrativas e discute a respeito de formas alternativas de observar a negritude, a subjetividade das pessoas negras e a branquitude. Ela foca no espectador — em especial, no modo como a experiência da negritude e das pessoas negras surge na literatura, na música, na televisão e, sobretudo, no cinema — , e seu objetivo é criar uma intervenção radical na forma como nós falamos de raça e representação. Em suas palavras, “os ensaios de Olhares negros se destinam a desafiar e inquietar, a subverter e serem disruptivos”. Como podem atestar os estudantes, pesquisadores, ativistas, intelectuais e todos os outros leitores que se relacionaram com o livro desde sua primeira publicação, em 1992, é exatamente isso o que estes textos conseguem.