Livros que marcam a vida da gente!

Texto de Toinho Castro para Blooks Livraria

Ao longo de uma vida muita coisa acontece. Desde o começo é uma sucessão de fatos, eventos, encontros, aprendizados, novidades, pessoas… Umas coisas ficam esquecidas, perdidas nas prateleiras empoeiradas da memória mais funda. Outras volta e meia reaparecem, seja por causa de um cheiro, uma canção, uma data.

Há casais que dançam ao som da música que marcou seu primeiro encontro e pessoas que relembram de quando saíram do cinema naquela tarde, da sensação de ver o mundo depois de assistir um filme que mudou tudo. Mas e os livros? E os livros que marcam a vida da gente? Por onde andam? Quais são?

Da minha parte posso citar pelo menos dois dos muitos livros que me marcaram de alguma for e dos quais não esqueço. O primeiro é o clássico de Maria José Dupré, A ilha perdida. Publicado pela primeira vez em 1944, lembro de tê-lo lido por volta dos 12 anos de idade, em fins dos anos 1970. Aquele livro, misto de aventura e mistério, com dois meninos se aventurando numa ilha no meio de um rio, me faz sonhar até hoje. Às vezes reencontro a sensação daquela leitura, numa lembrança, na leitura de outro livro, numa música cujos acordes me levam até aqueles dois meninos botando os pés naquela ilha onde o inesperado os esperava.

Foto: https://pxhere.com/pt/photo/851207

O tempo passou e cheguei até a Livro 7, uma livraria enorme que havia no centro do recife, onde eu morava. Lá, já mais velho, descobri a edição do livro de um sujeito chamado John Cage. De segunda a um ano era uma seleção de poemas, aforismos, conferências e outros textos, talvez inclassificáveis, de um dos grande nomes da música contemporânea, cuja obra era marcada pelos lances do acaso e pelo silêncio. John Cage, esse livro especificamente, mudou meu jeito de ler e de compreender o que eu lia. Abriu ninha vida para a contemporaneidade. Mudou a forma de eu ouvir música e me impactou profundamente.

Minha cadela, uma Golden Retriver chamada Nina, eventualmente comeu esse livro. É… não comeu exatamente, mas causou um grande estrago. Mas não a culpo. Nina não está mais entre nós mas entre muitas histórias que vivi com ela tem essa história, do livro destroçado. O próprio John Cage diria: Sempre tem que acontecer algo memorável. Recentemente De segunda a um ano foi relançado e puder reencontrá-lo. A mesma sensação de frescor, de descoberta. Que livro incrível.

Isso para citar somente dois livros, porque minha vida foi muito marcada por livros. Foram, e ainda são, grandes companheiros, que fizeram importantes conexões para mim. Com ideias, com épocas, com pessoas.

E você que me lê? Qual foi aquele livro que te marcou? Que histórias incríveis de encontros e descobertas você pode contar por causa dos livros que você leu? Cada livro que você traz pra sua vida abre um monte de portas e assim as coisas acontecem. Tenho certeza que você tem histórias e talvez você nem lembre e esse meu texto vai te fazer relembrá-las. Porque acaba que a gente valoriza muito os filmes e músicas que marcaram a vida da gente, porque tem essa recorrência mais imediata; mais midiática.

Mas se você tem livros na sua vida, você tem histórias para contar sobre cada um deles e algumas são, certamente, marcantes. Faça então esse exercício. Fale sobre os livros que marcaram sua vida. Puxe esse assunto com um amigo como quem não quer nada. Tenho certeza que será um ótimo bate-papo!


Nesse Natal de 2018 dê livros de presente! Depois descubra as histórias que eles trouxeram para a vida de cada um.