“Para onde vai esse lixo?”

Especialistas e educadores discutem quais transformações devem ser feitas no destino dos resíduos sólidos na cidade de São Paulo

Para encontrar um caminho na educação junto às urgências da sustentabilidade, a UMAPAZ, numa parceria com a Aliança Nacional Resíduo Zero, promoveu o 6º Encontro do Ciclo de Diálogos Resíduo Zero, no dia 7 de dezembro. O debate ficou por conta da desconstrução das narrativas pró-lixo e do papel do ensino para impulsionar essas mudanças.

Conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos, você é responsável pelo seu lixo. Entretanto, a população ainda não se adaptou completamente a esse conceito. Alguns questionam a falta de informação adequada sobre a coleta seletiva, outros sequer sabem da sua existência. Mas o que ambos têm em comum são as raízes no que a bióloga e consultora ambiental Patrícia Blauth, 53, batizou de “mitos pró-lixo”.

Segundo ela, essas ideias são chamadas assim por serem sintomas de uma sociedade industrializada e, geralmente, estarem a favor do resíduo. Entre elas, temos: pensar que os recursos naturais são infinitos, abusar do consumo de itens renováveis e biodegradáveis achando que desaparecerão, e ver os aterros sanitários como uma solução sensata. Para Patrícia, o primeiro passo é entender que não existe jogar o lixo fora, e sim encaminhá-lo para o lugar correto.

No ano de 2014, por exemplo, 41,6% do lixo nacional foram depositados em locais inadequados, uma redução de apenas 0,1% em relação ao ano anterior. Além disso, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a produção de resíduos já cresce mais do que a população: enquanto o volume de lixo aumentou 29% entre 2003 e 2014, o crescimento da natalidade foi de 6%.

Nas escolas, o conceito de resíduo sólido é prematuro. “Os professores ainda não fazem plena conexão do tema com a questão do consumo. Ou seja, tem aumentado o trabalho educativo em torno das consequências, dos impactos, mas ainda pouco sobre sua origem, que é o nosso comportamento consumista”, afirma a consultora ambiental. Ela destaca que a melhor forma de despertar o interesse sobre o tema é discutir sobre o que as pessoas gostam ou sobre o que as intrigam, criando um suspense: “uso sempre muitas perguntas, do tipo “para onde vai nosso lixo depois que passa o caminhão?”, “de onde vem o plástico? E a comida? E o lápis?”, “vocês já tinham pensado nisso?””, diz.

A secretária da Educação da cidade de São Paulo, Nádia Campeão, alega que os temas de sustentabilidade e resíduos sólidos podem e devem ser levados ao ensino e, além disso, uma das metas é a implantação da coleta seletiva em todas as escolas do município.

O impasse está no fato de que nem sempre a conscientização basta, é preciso mais. “Se existisse uma equipe para articular o que acontece nas escolas, com certeza nós teríamos um enraizamento maior”, destaca Mônica Pilz Borba, pedagoga e educadora ambiental.

Num cenário em que o volume de lixo produzido no país equivale a 1.450 estádios do Maracanã, a pergunta a ser feita é: precisamos mesmo de tudo isso?

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