Anos 40. Quando o mundo, enfim, descobriu o Brasil, em e-book…

“Pegue o bonde para um saboroso passei pelos anos 40 no Rio de janeiro (com escalas fundamentais em são Paulo!). Sente confortavelmente e a janela do bonde será uma tela de cinema, onde você verá: o cenário da guerra e da política, curiosidades sobre Getulio Vargas, o cinema colorido, o maracanã, as peças de Nelson Rodrigues, o inicio da Kibon e da Coca-Cola, a criação do brigadeiro(!), as roletas girando, os balangandã de Carmen Miranda, as ondas do radio e as do mar de Copacabana… E muito, muito mais. Ao chegar na estação, o aroma dos quibes, sierras e bolinhos de bacalhau o retrato do velho no mesmo lugar mostrando que o Brasil é só aquarela, onde o rei é mono, o je aime vira i Love you e nem um blecaute tira o trilho da Princesinha do Mar. Humor, memórias e acontecimentos curiosos temperam esse roteiro desenhado por Ricardo Amaral.”

Fazer o trabalho de adaptação de um livro impresso para o digital, como costumo dizer, é sempre uma tarefa árdua, sobretudo quando a qualidade do conteúdo exige qualidade no formato e na produção.

Os livros do Ricardo Amaral publicados pela Editora Rara Cultural são sempre um desafio para quem quer produzir um bom e-book. Este, apesar de ter menos links do que outros (como o Rio Book, por exemplo), também trouxe a sua carga de escolhas e adaptações.

Qualidade do conteúdo exige qualidade no formato e na produção do livro digital.

Adaptando o layout

Quem trabalha com livros digitais sabe que para a produção do layout fluido é preciso adaptar o conteúdo que antes era estático no impresso (ou no PDF). Esta adaptação pode ser simples, quando o livro é somente de texto, ou mais complexa quando o livro apresenta imagens, tabelas ou outros elementos gráficos.

As imagens

Uma coisa que, talvez, não percebemos é que dependendo do tipo de imagem esta pode receber mais ênfase no digital do que no impresso. Como no exemplo da imagem abaixo onde na versão impressa, por vários motivos técnicos, a imagem foi colocada pequena. Na versão digital ela é maior e possui ainda a possibilidade de zoom na imagem.

Versão impressa (PDF) e página da versão digital apresentada em um tablet Asus Nexus 7 no software leitor de e-book da Kobo. Ultima imagem a direita com o zoom na imagem (que se obtém com um duplo clic na imagem dentro do software leitor).

Na abertura de cada capítulo o livro possui uma imagem que na versão impressa completa o título. Pelo fato de estar na página esquerda do spread ela forma uma unidade com o título do capítulo, tendo ainda um texto em tom de cinza que deixa a página elegante. Na versão digital esta unidade foi quebrada: a imagem foi colocada em uma “página” separada do texto de abertura, servindo como preparação e introdução à leitura. O texto cinza foi retirado, mas o estilo do texto de abertura foi mantido. Tudo com o objetivo de deixar a leitura mais fluida no formato digital.

No software leitor da Kobo podemos ver que abaixo da imagem de abertura aparece a indicação do capitulo à qual ela faz referência. Isto é obtido colocando esta imagem como abertura de capítulo no sumário externo.

Versão impressa (PDF) e página da versão digital apresentada em um tablet Asus Nexus 7 no software leitor de e-book da Kobo. A direita é possível ver o título do capítulo abaixo da imagem de abertura.

No título de abertura dos capítulos foram utilizadas imagens para manter o mesmo design do impresso, porém neste caso a descrição da imagem inserida no tag <alt> garante que a acessibilidade seja preservada.

<div class="imagec">
<img alt="Deixa a vida me levar: costumes e boemia" src="../Images/cap04.jpg"/>
</div>

As fontes

Uma das características dos livros da Rara Cultural é o uso intenso de fontes diferentes dentro do projeto gráfico. Elas foram todas mantidas usando o recurso de fontes embutidas que o ePub contém. Isto só foi possível porque as fontes utilizadas tinham o formato OTF e TTF. Fontes com formatos antigos como o postscript não funcionam no ePub.

Uma dificuldade que existiu foi o fato que em alguns casos (poucos na verdade) o itálico no texto foi “forçado”, ou seja, no inDesign foi feita uma inclinação manual da fonte. Este recurso não funciona no digital. Tivemos que trocar de fonte para garantir o bom funcionamento.

Em alguns casos é possível “criar” uma fonte itálica utilizando um software chamado Fontforge, mas é algo que exige maior atenção e nem sempre o resultado é o desejado. A recomendação é que quando seja necessário um itálico no texto a família da fonte escolhida tenha já esta variação.

Box de texto

Do ponto de vista de elementos gráfico o livro é simples e não exigiu muitas adaptações. A presença de um box cinza em alguns textos foi mantida, inclusive imitando o design que estava no impresso. Este efeito foi obtido[1] utilizando dois box (div) com características diferentes, um dentro do outro, como mostra o código de exemplo. O resultado você vê na imagem abaixo a direita:

No HTML ficou assim:

<div class="boxExterno">
<div class="boxInterno">
<p>Texto do box</p>
</div>
</div>

E no CSS:

div.boxExterno {
background-color:#d1d3d4;
margin-top: 1.5em;
margin-bottom: 1.5em;
padding: 0.5em;
}
div.boxInterno {
margin: 0em;
padding: 0.5em;
border: 3px solid #fff;
}
Uso de fontes e elementos gráficos. Um e-book pode e deve ser bonito! Ao lado direito o resultado do “box duplo”.

Conclusão

Livros digitais são produtos diferentes do impresso e merecem atenção e um bom trabalho de design, mas sobretudo, assim como os impressos, servem para serem lidos e são fontes de conhecimento que podem nos ajudar a sermos melhores. Livros que falam do passado e da história são fundamentais para que possamos aprender a nos orientarmos no presente.

Convido vocês à deliciosa leitura de Anos 40, no digital ou no impresso (e porque não nos dois formatos??), mas que ninguém tenha desculpas para não ler! :-)


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[1] A Fernanda Kalckmann, ótima designer de livros digitais, foi quem criou a ideia de manter o design do box.

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