Como o Botafogo Quer Ser Visto?

( Vítor Silva/SSPress/Botafogo)

O Botafogo sempre se comunicou mal. As ações que partem do clube passam a ideia de serem aleatórias, sem nenhum norte. Busca-se, assim, sanar determinadas demandas ocasionais, nunca buscar transmitir uma imagem que atendesse a um planejamento sério. Com isso, a marca Botafogo é cada vez mais desvalorizada, mesmo sem contar os resultados em campo.

Empresas têm valores e os clubes deveriam seguir o mesmo caminho. Uma missão, uma visão que permeasse todas as ações do clube e ditasse todos os posicionamentos. Uma frase a ser destacada em todos os documentos, uma ideia a mover os torcedores, dirigentes e funcionários.

Hoje alguém é capaz de dizer o que é o Botafogo? A julgar pelas entrevistas dos membros da diretoria, a única coisa que podemos dizer que é um clube falido, sem ambição e implorando por ajuda. É um péssimo sinal emitido.

Não se pode negar o caráter de urgência da tarefa de fazer o clube sobreviver, mas isso não é desculpa para não se pensar o Botafogo como um todo e começar a transformá-lo em uma agremiação moderna, que possa motivar os seus torcedores e reforçar os seus laços.

Em empresas bem-sucedidas, nenhum dos seus produtos, ações ou serviços são iniciativas isoladas. É assim (também) que agregam valor ao que oferecem e que os seus clientes diferenciam-nas dos seus concorrentes.

O Que Um Torcedor Ganha ao Comprar um Ingresso?

Se você acredita que, ao comprar um ingresso, um torcedor ganha apenas o direito de assistir ao jogo, talvez você ainda esteja preso no século passado, sonhando com a geral do Maracanã. Você não compra um celular apenas pelas suas ligações ou vai a determinado bar por causa da cerveja gelada, há mais história por trás disso tudo.

Há muita história envolvendo um jogo. A expectativa, a ida, os bares em volta do estádio, o encontro com os amigos, a relação com o próprio time e por aí vai — e há até uma partida de futebol. Se você não consegue sinalizar isso ao seu cliente, você terá um ingresso barato, um estádio vazio e uma relação de dependência cada vez maior dos resultados para ter um público razoável.

Storytelling

A arte de envolver todos os setores de uma empresa e fazer com os seus produtos e serviços tenham uma história que apelem aos nossos sentimentos e emoções chama-se storytelling. Não é novidade, muitas empresas já o fazem, mas apenas há pouco tempo convencionou-se chamar assim.

Não é fácil. É necessário um esforço conjunto de todos setores de um clube. Entender que cada funcionário é, também, responsável pela imagem do clube. Que, quando o presidente do Botafogo dá uma declaração ou um assistente II do administrativo posta em uma rede social, ele fala pelo clube, ele indica o que o clube é e o que ele quer. Não há espaço para improvisos.

Mas, antes dessa preocupação, é necessário voltar àquele papo de saber o que se quer. Criar uma missão, ter um foco para a imagem do clube, entender como quer se posicionar. A partir daí, trabalhar todos os segmentos de contato com os clientes e melhorar e adaptar a experiência aos objetivos propostos.

O Botafogo tem uma rica história e ela pode ser usada a nosso favor — e não estou falando de saudosismo. É hora de o Botafogo saber o que quer e, principalmente, quem ele é e como quer ser visto.

Chega de ser amador, Botafogo!

— — — — — — — — — —

Siga-nos nas redes:

Facebook: Botafogo sem Medo
Instagram:
@botafogosemmedo/

Like what you read? Give Botafogo Sem Medo a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.