Na Pior Hora do Botafogo, CEP se Afasta

“Nós”

Não serei simplista. Dizer que alguém tem obrigação de ir ao estádio é ser cruel e ignorar a realidade. Há diversos motivos que afastam o torcedor do Nilton Santos e vários deles não envolvem o clube. A culpa não é sua — e quem afirmar o contrário não tem a menor ideia do que está acontecendo.

O pedido é que a torcida entenda o que se passa em General Severiano, de forma que se possa cobrar os responsáveis pela nossa delicada situação financeira. O Botafogo não tem mais o direito de errar. Abaixo vai um pouco dos acontecimentos das últimas semanas no nosso complicado clube.

A ATUAL SITUAÇÃO

Faltam onze pontos (para não ser rebaixado) e 49 milhões de reais (para fechar as contas no azul) para 2018 acabar. Só que, seja lá qual for a maneira encontrada para atingir esse objetivo, ainda haverá 2019 e tudo indica que será uma mera repetição da mediocridade deste ano. A não ser que ocorra uma guinada drástica, a torcida do Botafogo está destinada a sofrer por, pelo menos, mais dois anos até o final do mandato do Mais Botafogo com Mufarrej e Carlos Eduardo Pereira.

Estamos no pior dos mundos. Uma gestão que se tornou fraca e moribunda, mas que ainda tem anos a cumprir. Nos dois rebaixamentos, com Mauro Ney e Maurício Assumpção, haveria uma transição que ajudaria a dar uma renovada na esperança da torcida. Agora, se o pior acontecer, nem isso.
 
O time ainda tem chance de conquistar o seu objetivo, mas e a diretoria com as suas contas? Após alardear um superávit de 53 milhões no balanço de 2017, o clube passa por enormes dificuldades em 2018, recorrendo a seguidos adiantamentos em condições muito desfavoráveis e precisando ainda de R$49 milhões para não fechar o ano no vermelho. Isso graças a um orçamento fantasioso e inflado que previa venda de jogadores e receitas com poucas chances de se concretizar.
 
 Aí é que está o truque: ao jogar a previsão de receita do orçamento lá no alto, você aumenta também a margem para adiantamentos. A incompetência do Mais Botafogo no presente destrói o futuro do Botafogo.

CEP FAZ PARTE DO PROBLEMA DO BOTAFOGO

Só que, independente do que vier a ocorrer, está claro que o futuro também não aponta para dias melhores. Mufarrej está abrindo, aos poucos, a gestão à ajuda externa e se distanciou de Carlos Eduardo Pereira. Agora, no pior momento do clube em muitos anos, CEP deu uma declaração absolutamente covarde ao grande Thiago Veras, da Tupi:

“Meu silêncio sobre o momento atual do Clube, nada tem de omissão, muito pelo contrário, pois internamente tenho tido repetidas divergências sobre questões gerenciais, financeiras e do futebol. Expô-las agora não vai ajudar. O grave momento vivido pelo Botafogo pede prioridade na luta pela permanência na Série A. Terminado o Campeonato, será a hora do nosso grande debate.”

Assim, CEP busca distanciar-se de Mufarrej no seu pior momento, o que também tem feito reiteradas vezes em postagens no Facebook. É alguém que busca preservar o próprio legado, realmente acreditando que a torcida irá se esquecer da vergonha provocada pela reta final de 2017 e, também, pelo caos financeiro da sua gestão — notadamente o caso do adiantamento de 100 milhões de reais nas duas renovações de contrato com a Globo.

CEP não pode fazer parte de nenhuma discussão sobre a reconstrução do Botafogo. CEP é parte dos problemas do Botafogo.

E ele vai além:

“Agora, temos que apoiar a equipe e torcer para que tenham sucesso nesta luta fundamental. Que os Deuses do Futebol, Carlito Rocha e o Biriba, olhem pelo nosso Botafogo.”

Será que o ex-presidente do Botafogo não confia no trabalho da diretoria para recorrer apenas ao sobrenatural?

OS VICE-PRESIDENTES

Pensem nos atuais vice-presidentes. Há anos ocupam os seus cargos e os resultados são medíocres, trazendo prejuízos ou apresentando resultados que pouco contribuem na difícil tarefa de reerguer o clube. Mufarrej os mantêm e eles não têm a humildade de entregar os seus cargos e irem tocar a sua vida. Por quê?

Onde está a humildade de quem não consegue mais ver que não têm condições de contribuir e deixar a vida seguir? É amor ao cargo ou ao clube que move essa gente?

A POLÍTICA ALVINEGRA

Se desconfiávamos que houvesse um racha na diretoria, agora ele é oficial, com a declaração do CEP (ver acima). Diz-se que alguns dos vices agem isoladamente e CEP perdeu a sua influência — ele ainda insiste no retorno de Antônio Lopes.

Temos que nos lembrar de que Mufarrej era membro do Botafogo Acima de Tudo, grupo capitaneado pelo ex-vice geral de Maurício Assumpção (2009–2011), Mantuano. Quando este rompeu com CEP em 2014, Mufarrej rompeu com Mantuano e continuou na gestão. Sendo, então, um membro mais recente do Mais Botafogo, não tendo formado o grupo com eles em 2009.

Com isso, não causou estranheza a ninguém que Mufarrej tenha se cercado de assessores assim que iniciou o mandato, dando legitimidade a eles incluindo-os no organograma do clube e os convidando para participarem das reuniões semanais do Conselho Diretor (presidente mais vices). Curiosamente, o clube retirou os assessores do site da transparência.

Claro que isso teria consequências. Ao dar poder e voz a novos membros, você tem que retirá-los de algum lugar e isso parece ter desagradado principalmente ao ex-presidente e atual vice-geral, CEP. E tudo indica que alguns dos vices já foram mais próximos ao Mufarrej.

Agora, com a indicação de Paulo Mendes, ex-executivo da Globo e que foi vice geral de Maurício Assumpção entre 2012 e 2014, o clima parece ter piorado — o que talvez possa explicar a inacreditável entrevista do CEP descrita acima.

Aqui uma observação: Paulo Mendes, apesar de ter estado com Maurício Assumpção, é alguém que se mantém além da política alvinegra e pode contribuir muito. Além da sua experiência, é bem próximo dos irmãos Moreira Salles. Sobre este assunto, fica aqui o recado:

UM PEDIDO: PONTOS PARA A TORCIDA ENTENDER

Vá aos jogos: OK, não estou me contradizendo. Você não tem nenhuma obrigação de ir. A crise está dura, a situação violenta e a diretoria do Botafogo não tem a menor ideia do que fazer com o estádio. Mas dê um jeito e vá. O Botafogo precisa de nós.

CEP não é um salvador da pátria: Feito benemérito pelo Mauro Ney em 1993 e, em uma manobra vergonhosa, se tornado grande benemérito na própria gestão, CEP pensa apenas no seu legado, mesmo após tendo deixado um clube com as finanças em frangalhos para Mufarrej.

O futuro do Botafogo passa por mudanças profundas: não podemos mais ficar à mercê de sócios brincando de tocar um clube. Precisamos de reais mudanças — e eu não estou falando de nomes.

Informe-se e cobre transparência: o Botafogo não pode mais ser um clube com orçamentos e balanços confusos e sem transparência. A torcida e os sócios precisam saber da real situação do clube.

Fim dos adiantamentos: a diretoria do Botafogo não pode pedir seguidos adiantamentos e seguir com as mesmas práticas atrasadas de sempre. É necessário cortar custos e mudar nomes e procedimentos.

Acabar com os privilégios: o Botafogo é um clube falido. Assim, todos devem dar a sua contribuição. É um absurdo que a vergonha que os beneméritos não paguem mais a taxa de manutenção obrigatória a todos os sócios tenha sido legalizada pela última reforma estatutária. Muitos dos beneméritos são responsáveis pela nossa desgraça financeira. Todos devem pagar.

Vamos torcer. A situação é dura, mas, quem sabe, há esperança após essa tempestade que insiste em não ir embora. Que o futuro do Botafogo seja brilhante.