Orçamento 2018: parecer do CF comentado

Ontem publicamos aqui o parecer do Conselho Fiscal do Botafogo (CF) sobre o Orçamento de 2018 proposto pelo Conselho Diretor (composto pelo presidente e todos os vice-presidentes).

Para elucidar melhor o texto, fizemos alguns comentários sobre cada parágrafo do parecer:

“1 — O orçamento do Botafogo de Futebol e Regatas para o ano de 2018 prevê receita bruta de 204 milhões de reais e despesas de 139 milhões de reais, cujo resultado operacional é de 65 milhões de reais. O modelo adotado pela Diretoria para obter este resultado, foi o método da competência, sendo que a base das despesas está contida nos contratos vigentes e nas previsões geradas pelas Vices Presidências, Conselhos e Estádio.”

R$ 204 milhões são todos os recursos que previstos para entrar no caixa do Botafogo em 2018. R$ 139 milhões são todos os gastos operacionais para 2018, do futebol e de todos os demais setores do clube, incluindo contratação e salário de jogadores. A diferença, R$ 65 milhões, é o resultado operacional, e deve ser usado para quitar o passivo (Ato Trabalhista, profut e outras dívidas).

“2 — Com uma redução de 10 % das receitas em relação ao realizado no ano de 2017, entendemos que esta variação está embasada principalmente na inexistência de recursos oriundos da antecipação de contratos de Direitos de transmissão de TV, que foram de 40 milhões de reais, recebidos em janeiro/2017. Esse decréscimo de receita poderá ser minimizado pela projeção de receita de possíveis vendas de direitos econômicos de atletas e aumento de 100% dos sócios torcedores, projeção extremamente otimista em relação ao histórico do programa em questão.”

A previsão de receita indica redução de 10% em relação ao realizado de 2017. O CF entende que isso se deve principalmente aos R$ 40 milhões de adiantamento da Globo que entraram em 2017 e não se repetirão em 2018. O CF observa que a diretoria buscou reduzir a queda de receita com algumas previsões “extremamente otimistas”, como o aumento de 100% de arrecadação do sócio torcedor.

“3 — Importante salientar que há previsão de receita adicional em torno de 7 milhões em Esportes Gerais e Remo, acima do realizado de 2017, oriunda de possível captação previamente aprovada de recursos via Lei de incentivo fiscal, sem a qual tais rubricas repetirão déficit a ser coberto provavelmente por receitas do clube.”

A diretoria previu arrecadação de R$ 7 milhões via lei de incentivo para Remo e Esportes Gerais. Recursos obtidos assim têm destinação específica para o projeto proposto, não podendo ser realocados. Porém, não é certo que se obtenha a totalidade dos recursos pedidos, e caso isso não aconteça, o dinheiro do futebol terá de cobrir esses gastos previstos.

“4 — Devemos salientar que não houve redução significativa de gastos para 2018, já que as diferenças numéricas dos custos foram transferências de linhas operacionais para o passivo devido às novas regras de apresentação do balanço e a não alocação de premiação da Libertadores, ou seja, a redução real foi de 3%, fazendo com que as despesas continuem seguindo da mesma dimensão de 2017.”

Explica o CF que os gastos se mantêm no mesmo patamar (redução real de 3%), embora os números possam aparentar redução, pois despesas que estavam em despesas operacionais foram realocadas para o passivo. Isso reduz as despesas operacionais mas aumenta o passivo, de modo que os gastos totais pouco se alterem.

“5 — Um importante componente deste orçamento deriva ainda, com especial incidência nos contratos que estão sendo cobrados (parcelamentos diversos), acordos efetuados (cíveis e trabalhistas), Ato trabalhista, Profut, Despesas Financeiras e Bancárias. Essas despesas representam 34% do total das receitas.”

De tudo que o Botafogo gastará em 2018, 66% são as despesas operacionais de 2018 e 34% são o passivo (Ato Trabalhista, Profut, etc.). Ou seja, a diferença entre receita total e despesas operacionais (o resultado operacional de R$ 65 milhões) tem que ser suficiente para pagar o passivo. Caso contrário, o clube fechará o ano com déficit.

“6 — A execução meticulosa deste orçamento continua a ser, no entender do Conselho Fiscal, um poderoso instrumento de credibilidade, que se pretende o Botafogo de Futebol e Regatas venha a construir. Foi efetiva na constituição de medidas de monitoramento do orçamento de 2017, e devemos continuar a condicionar “todo gasto” à obtenção de receitas que paguem tal desembolso. Mais uma vez, lembramos que seria de bom alvitre que a Diretoria não apenas focar custos e despesas, mas basicamente tentar alavancar a atuação do nosso Marketing, principalmente no Estádio Nilton Santos, bem como desenvolver uma estrutura profissional, aproveitando o bom trabalho realizado na base, em termos de resultados em vendas de atletas e também proporcionar um aumento e conseqüente retorno de vendas relevante da nossa “Marca Centenária”.”

O CF recomenda que a direção cumpra o orçamento, evitando aumento de despesas sem correspondente aumento de arrecadação. O CF pede ainda que a direção trabalhe para melhorar o marketing e captar novos recursos, especialmente a partir do estádio Nilton Santos e de venda de atletas.

“Destarte, o Conselho Fiscal, ressalva que a situação que o clube passou em 2017, poderá ser ainda mais dificultosa em 2018, já que os valores recebidos de antecipação de receitas de transmissão recebidas no início de 2017 (que não constavam do orçamento) e utilizadas ao longo desse ano, não foram suficientes, já que pelas projeções, o resultado operacional previsto para 2018, não será capaz de suprir as despesas não operacionais, além de que poderemos ter um possível resultado negativo no final de 2017, o que poderá impactar o orçamento de 2018 substancialmente, obrigando renegociações com os credores para garantir o funcionamento operacional do clube e também urge que se defina uma estratégia a curto e médio prazo para elevar receitas e reduzir despesas, cumprindo o compromisso de “só se gastar o que está previsto no orçamento”.”

O CF demonstra preocupação com 2018, pois diferentemente de 2016 e 2017, o clube não contará com grandes somas referentes a adiantamentos da Globo (foram R$ 60 milhões em 2016 e R$ 40 milhões em 2017). Diz o CF que 2017 deve fechar com déficit, que será carregado para 2018, e que 2018 também deve fechar com déficit. Tanto em 2017 quanto em 2018, o CF diz que a diferença entre receita total e despesas operacionais não será suficiente para pagar os respectivos passivos.