Por que eu não gostei do Death Note da Netflix?

Estreado na última sexta-feira no serviço de streaming, a adaptação cinematográfica do mangá e anime Death Note, muito aclamado por fãs e crítica, foi uma total decepção.
Por se tratar de uma adaptação, desde o começo eu já esperava que não fosse fiel aos mangás, porém o longa demonstrou que passa longe de uma adaptação e não é nada além do que uma releitura de muito mal gosto.
O primeiro ponto negativo da nova produção da Netflix se dá pela nova personalidade do personagem principal. No mangá e no anime, Light Yagami é retratado como um gênio megalomaníaco. Estudante do último ano do ensino médio, popular, bonito e com uma família bem estruturada. Tem características de um sociopata, usa da justiça para esconder sua verdadeira faceta: o desejo de se tornar o deus do novo mundo.
Já no filme, Light Turner é um estudante de ensino médio com uma estética americanizada, sofre bullying e apesar de inteligente, não é um gênio. É um personagem passional, age sobre a influência de Mia e Ryuk, e não apresenta traços de megalomania.
Não preciso nem citar a cena em que ele encontra o Ryuk pela primeira vez.
O tão aclamado L é outro ponto que deixa a desejar, nada de passar a impressão de genialidade ou de sua personalidade autêntica. A impressão que ficou é a de um cara de inteligente, extremamente estranho e viciado em doces, passando longe da frieza apresentada nos mangás em diversos momentos.
Em um contexto geral, o filme não apresenta um desenvolvimento profundo dos personagens. Não há princípios ideológicos, só ação.

Em termos de roteiro há falta de coesão e arcos narrativos mal elaborados. Há também várias falhas que tornam a experiência do telespectador ainda pior.
Uma delas é a velocidade em que as investigações acontecem. Na verdade você apenas supõe que ela dá certo, o embate intelectual entre os dois gênios e todo o seu progresso foi totalmente desconsiderado, só exibindo os personagens chegando a conclusões.
Todos esses fatores transformou uma disputa entre dois egos e morais distintas em um romance colegial com leves cenas de gore, nada de arcos dramáticos e suspense no ar.

