BOOKTUBERS

“Com a câmera ligada, jovens apresentam livros no YouTube e compartilham opiniões das mais diversas a respeito do que estão lendo em uma linguagem informal e despojada. E seus vídeos são vistos por milhares de pessoas. Chamados de “booktubers”, eles estão ajudando a transformar o mercado editorial tanto no Brasil quanto lá fora e a perpetuar o hábito da leitura.

‘Com o enxugamento das redações [de jornalismo] e publicações específicas sobre literatura sumindo das bancas, o nosso principal meio de divulgação dos livros são os blogueiros e booktubers, que têm um diferencial por falarem na mesma língua do nosso público-alvo leitor. Portanto, consideramos o trabalho deles fundamental na repercussão dos nossos livros’, considera Silvia Tocci Masini, editora da Gutemberg.

As resenhas em vídeos abordam desde clássicos literários até os best-sellers do momento, mas se há um gênero mais discutido por eles são os destinados aos jovens adultos. “A questão do formato de vídeo informal, sem grandes produções, é típica dos adolescentes e jovens, que entendem isso como um meio de expressão corriqueiro. Então obras que dialogam com esse público também tendem a ter mais repercussão”, aponta João Varella, editor da Lote 42.

Carolina Dantas, na Folha de S.Paulo

Importância para as editoras

Números tão expressivos quanto os que esses jovens acumulam acabam impactando na divulgação dos livros. Ana Lima, editora-executiva da Galera, selo da Record com obras destinadas ao público jovem, lembra que um vídeo de Melina Souza, do canal Serendipity, sobre “À Procura de Audrey”, de Sophie Kinsella, ajudou a criar uma expectativa em cima do título, que se esgotou assim que chegou às livrarias. ‘O impacto pode ser significativo. Como a competição é grande, aquele livro indicado com certeza vai se sobressair. Eles [os booktubers] são parceiros e mensalmente enviamos alguns lançamentos para que leiam e deem sua opinião’.

Cíntia Borges, gerente de comunicação da Rocco, segue a mesma linha. ‘Especialmente na literatura jovem, alguns canais podem influenciar de forma bastante intensa, pois são formadores de opinião e ajudam muito no boca a boca. Com o crescimento do mercado editorial brasileiro nos últimos anos e, particularmente, com o boom da literatura juvenil e young adult após ‘Harry Potter’, são muitos os lançamentos para este público. A mídia tradicional não consegue aabrir espaço para todos. Daí a importância dos blogs, canais de Youtube e redes sociais voltados para este universo, que abriram um novo canal de comunicação entre as editoras e os leitores’.

A Rocco aposta na parceria com canais como o ÍndiceX e o Tríplice Literária e permite que eles escolham até dois lançamentos por mês para resenhar em vídeo. “Acompanhamos a publicação das resenhas regularmente, mas não há qualquer compromisso dos blogueiros e booktubers quanto ao teor, eles têm total liberdade para avaliar os livros. A parceria também é fortalecida pela divulgação das resenhas publicadas, dando visibilidade aos blogs e canais literários nas redes sociais da editora.

Outra editora que aposta nesse tipo de divulgação é a Aleph. ‘Os booktubers são fortes parceiros na divulgação de livros. Eles são fáceis de lidar justamente por serem jovens, com ideias frescas e uma empolgação ímpar. Aquela formalidade convencional é deixada de lado e nossas trocas de e-mail costumam ser bem divertidas. Fizemos uma ação de lançamento com o livro ‘Eu, Robô’, enviando kits especiais para os blogueiros. Coincidência ou não, o livro esgotou em menos de dois meses’, lembra Felipe Bellaparte, assistente de marketing da editora.”

Texto extraído da matéria “MERCADO LITERÁRIO: OS BOOKTUBERS VÃO SUBSTITUIR OS CRÍTICOS ESPECIALIZADOS?” publicada no site UOL em 18/08/2015 por Rodrigo Casarin

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