Antes que seja domingo e o sonho termine.

Por Pedrinho Fonseca

Paola Serrato da Colômbia/Foto: Pedrinho Fonseca

A cidade, tão acostumada a receber e viver o carnaval, tomou um susto. Nem era fevereiro. Acordou colorida, fantasiada, sorridente. Os estandartes foram trazidos por porta-bandeiras notáveis e desfilaram numa avenida que passava por dentro do coração do Maracanã. A partir daí, um desfile constante de blocos animados por coros muito particulares, desenhos sonoros em múltiplas línguas. Maracatus nórdicos, rodas de samba africanas, marchinhas asiáticas, frevo americano. E a cidade, tão acostumada, estava surpresa com esses novos foliões de um carnaval inesperado.

Kyrla, brasileira, paulista. Tinha tanta alegria no rosto que mal continha o sorriso. Deixou perder-se na multidão e aproveitar o tempo que tinha entre as arenas apenas para ver o mundo passar, bem diante dos seus olhos.

Kyrla Fogaça de São Paulo/Foto: Pedrinho Fonseca

Daniel, venezuelano. Veio ao Brasil estudar, em Curitiba. Sentiu os Jogos Rio 2016 se aproximando e sentiu que o Rio era próximo demais para perder a experiência. Juntou o que tinha, comprou os ingressos, veio desfilar.

Daniel Alberto Ojeda da Venezuela/Foto: Pedrinho Fonseca

Steve, habituado às tantas cores da sua cidade natal, Las Vegas, não escondia a surpresa. Não eram seus primeiros Jogos Olímpicos, não deseja que sejam os últimos. Mas esta, ele me disse, era a maior festa que havia visto.

Steve Hester de Las Vegas/ Foto: Pedrinho Fonseca

Paola, colombiana, trouxe só o que precisava: a mochila e a disposição. Tem acordado cedo e dormido tarde — porque, segundo ela, o dia aqui passa muito depressa, como sempre acontece quando estamos fazendo algo que gostamos muito.

Luíse e Pedro Henrique, cariocas, foram os últimos foliões com quem falei. E eles tinham o orgulho natural de um anfitrião que prepara a festa e vê-la dando certo.

Tentei dormir cedo, mas ainda ouvia os batuques, cantos, sons de multidão. Tentei dormir cedo mas não queria me desfazer das lembranças desse sonho de carnaval, que não poderia mesmo acontecer em outro lugar senão este Rio de Janeiro que, melhor que ninguém, está acostumado com tudo isso. Tentei dormir cedo, mas entendi que o melhor mesmo é acordar cedo e começar tudo de novo. Antes que chegue o dia 21 de agosto. Domingo ingrato, que vai chegar tão depressa, só para nos contrariar — e deixar aquele gosto conhecido de quarta-feira de cinzas no nosso coração.

Pedro Henrique dos Santos e Luíse Santos do Rio de Janeiro/ Foto: Pedrinho Fonseca