Duas mulheres. Duas vidas. Uma luta.

Documentário cruza as trajetórias de Elza Soares e Rafaela Silva para contar muitas histórias.

A judoca Rafaela Silva e a cantora Elza Soares.

São milhares de pessoas vivendo um problema social que não se pode datar nem o começo nem o fim. Geração após geração de homens e mulheres que, cada um em seu tempo e a seu modo, já nasce com a missão de lutar pelo que deveria ser um direito: igualdade entre as raças.

Eles estão em todos os lugares, mas, às vezes, parecem invisíveis. São maioria nas periferias, nos subempregos, nos presídios, nos índices de analfabetismo e pobreza. São minoria nas universidades, nos cargos de liderança, na política, nas capas de revistas.

A cantora Elza Soares faz parte desse enredo. Nasceu na década de 1930, na favela da Moça Bonita (RJ), em uma família de poucos recursos, teve que trabalhar na infância, casou-se, forçadamente, aos 13 anos e aos 14 anos já era mãe, enterrou quatro filhos, enfrentou preconceitos em diversas esferas sociais (mulher, pobre, negra, artista).

Outra personagem dessa narrativa é Rafaela Silva, a judoca. Cresceu na Cidade de Deus, uma das maiores comunidades do Rio de Janeiro, e aprendeu desde pequena que precisaria brigar pelo seu espaço. A falta de dinheiro e de perspectivas se apresentou cedo e exigiu muito esforço para ser contornada.

Em 2016, Elza ganhou o Grammy Latino com o disco “A mulher do fim do mundo”. No mesmo ano, Rafaela Silva levou a medalha de ouro nas Olimpíadas realizadas no Brasil. Em 2017, Elza completou 80 anos e Rafaela 25 anos e continuam fazendo o que negros do país inteiro fazem todos os dias: acreditar.

Elza e Rafa são representantes de um povo que acredita que, apesar de todas as barreiras, pode conquistar tudo o que quiser. Que sabe que a transformação da nossa estrutura social é lenta, mas ela vem chegando, trazendo a consciência da força que se tem e encorajando cada um a ocupar seu espaço.

Essas duas mulheres podem fazer muitas vidas ecoarem através de suas próprias trajetórias. E para contar essas histórias, ninguém melhor do que os oito jovens negros integrantes do Mooc — coletivo conglomerado de Artes Visuais, Moda & Design e Comportamento.

Por meio do vídeo-documentário “Duas mulheres. Duas vidas. Uma luta.” e de um novo clipe da música “A Carne”, o Mooc cruzou as vidas dessas duas mulheres fortes para homenagear toda a raça negra.

“É um projeto muito grande e a gente teve a oportunidade de mostrar a força da mulher negra na sociedade. Somos três mulheres negras dentro do coletivo vivendo, diariamente, com essa realidade, então, a gente tem muita consciência do que está sendo contado. O processo criativo foi muito natural, porque é algo com o que a gente convive”, explica Catarina Martins, diretora de fotografia do Mooc.

E foi assim que eles trouxeram referências fortes de ancestralidade e das raízes da cultura negra para o projeto. Cada imagem, cada som, cada roupa, cada lugar tem o olhar de quem tem propriedade e sensibilidade para contar essas histórias.

Mas o Mooc não trabalhou sozinho. Enquanto eles se debruçavam sobre a consultoria criativa, a Conspiração Filmes e a Banzai Studio cuidavam da grande produção necessária para que tudo fosse feito com a excelência e o carinho que o projeto merece.

Todo trabalho intenso valeu a pena e foi reconhecido pela protagonista campeã olímpica de judô:

“Há quatro anos eu saí de uma olimpíada e as pessoas diziam que eu nunca seria melhor do que ninguém porque eu sou negra, e hoje eu estou aqui com minha medalha. Então, eu só tenho a agradecer por esse projeto e quero sempre poder mostrar pro mundo a força que a gente tem”.

Para a mulher do fim do mundo, o sentimento é de gratidão.

“Eu estou muito feliz com esse clipe. Só tenho a agradecer. Muito obrigada. Muito obrigada mesmo”, recado de Elza Soares.

Foi com todas essas e muitas outras forças somadas por um mesmo propósito que “Duas mulheres. Duas vidas. Uma luta.” teve um resultado ainda mais surpreendente e emocionante do que o imaginado. E é com muita alegria que compartilhamos essa linda homenagem no dia da Consciência Negra.

#DuasVidasUmaLuta

Assista ao documentário completo:

Making of do projeto:

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