Julio Le Parc vai invadir seu feed

Julio Le Parc — Alchimie 218, 1996. Acrílica sobre tela | Tríptico — 200 x 200 x 3 cm. Atelier Le Parc

A exposição Julio Le Parc: da forma à ação entrará em cartaz no próximo dia 25 de novembro no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A mostra, uma itinerância da retrospectiva do artista realizada em 2016 no Pérez Art Museum Miami, apresenta mais de 100 obras de diversos momentos de sua produção. São experiências físicas e visuais em que nós, os visitantes, somos protagonistas. E eu já adianto, vai ser difícil deixar o celular no bolso.

Julio Le Parc é daqueles artistas que só precisam se apresentar uma vez. As obras tem personalidade única e quando você esbarrar com elas vai saber de onde vêm. Nos meus encontros com Le Parc (e aqui me refiro às obras) ele estava sempre acompanhado de outros artistas, mas seus trabalhos são um imã para os olhos e capturam até os mais distraídos.

Le Parc começou a produzir na Argentina, seu país natal, em meados dos anos 1950 e logo se mudou para Paris. Ele é curioso. Pesquisa, arrisca, colabora com outros artistas. Usa a arte como laboratório. Entre suas influências estão Victor Vasarely e Piet Mondrian. Eu só podia gostar do trabalho dele.

Comentei com um amigo que teríamos Le Parc na cidade e a primeira coisa que ele me disse foi: “a obra dele é linda”. E é linda mesmo. O impacto visual das suas produções é inegável. Fisga pelo olhar e te leva além. Você vive a obra com intimidade, completamente envolvido pelos sentidos. O artista te chama pra mexer, puxar, apertar, tocar. Algumas obras tem motores, outras reagem ao ambiente. Eu adoro quando o Umberto Eco diz que a matemática e o acaso convivem na obra do Le Parc. Não é assim também na vida?

São 60 anos de carreira, 89 de idade, mas tenho aqui pra mim que a produção dele não podia ser mais atual. A partir de instalações com espelhos, luzes, cores e pesquisas óticas, que hipnotizam com seus tantos estímulos visuais, Le Parc empodera o público. Você está ativo e experimenta com consciência. A obra de arte se torna um veículo de transformação social e política.

Eu me encanto com a série Alchemie que começou a ser produzida no final dos anos 1980. Nessas telas, sinto nitidamente a experiência sensorial que começa pela visão. É incrível como ela se basta, apesar do meu hábito de pensar histórias pras telas — eu quase penso num cosmos, mas paro antes de avançar na ideia.

Julio Le Parc é um dos meus artistas cinéticos preferidos exatamente porque ele chama atenção dos olhos mais desatentos e os aproxima da arte. Só não sei como nós, seres pós-modernos acostumados a complementar experiências com fotos e vídeos, conseguiremos resistir aos seus labirintos de espelho. Da forma à ação será ao mesmo tempo um lindo exercício de espírito ativo e um enfrentamento com a selfie. Estou animada com esse Tetê-à Tetê.

Copyright das imagens ©Le Parc, Julio/AUTVIS, Brasil, 2017

Exposição: Julio Le Parc: da forma à ação
Abertura: 25 de novembro de 2017, das 13h às 18h
Até 25 de fevereiro de 2018 — grátis
De terça a domingo, das 11h às 20h
Patrocínio: Bradesco

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