O espetáculo começou.

No teatro grego, o ator é o rosto que aparece, o protagonista da história. E há um coro, coletivo e anônimo, que participa do espetáculo, ganha força e voz à medida que a narrativa cresce.

Por Pedrinho Fonseca

Alto da Vista Chinesa/Foto: Pedrinho Fonseca

Estou a caminho do Rio e lembro da minha primeira — e tardia, já que tinha quase 30 anos — chegada à cidade. Era cedo da manhã e o piloto pediu desculpas e licença, falou que estávamos em procedimento de pouso, gentilmente avisou que o melhor a ser feito seria olhar pelas janelas e presenciar um acontecimento. Foi que fiz, foi o que fizemos quase todos na aeronave, pelo que pude perceber. O acontecimento era o Rio de Janeiro acordar.

Arpoador/Foto: Olivia Nachle

Desta vez, vou com a missão de ouvir e contar, aqui, as histórias dos heróis sem medalhas. Procurar as pessoas que fazem parte de um gigantesco coro que participa do espetáculo que acabou de começar. Como sempre acontece com os momentos breves que antecedem o primeiro ato, o corpo dá sinais da expectativa para entrar em cena. A respiração fica tão ofegante quanto a do velocista dos cem metros rasos antes do estampido da largada. O olhar fica tão obstinado quanto o do velejador que consulta o horizonte em busca da direção do vento. As mãos ficam tão geladas quanto as da ginasta antes de desafiar as paralelas. A boca fica seca como a da artilheira que beija a bola antes do pontapé inicial. O corpo esquenta como no abraço coletivo das seis guerreiras, que antecede o primeiro saque.

Estamos diante de um grande acontecimento. E dos vários sentimentos possíveis que podem surgir, indiferença não é um deles. Os Jogos Olímpicos estão aqui, um momento raro, incomum. Ao invés do Olimpo, teremos o Pão de Açúcar, o Corcovado, os Dois Irmãos e a Pedra da Gávea fazendo cócegas no céu azul-infinito. No lugar de doze deuses imaginários, teremos Roberto Scheidt, Marquinhos, Charles Chibana, Leandrinho, Sarah Menezes, Nenê, Raulzinho, Vitor Benite, Érika de Souza, Rafael Silva (Baby), Gustavo Albuquerque (Rambo), Isadora Cerullo. E além de medalhas, a entrega de abraços calorosos que só o brasileiro, no mundo inteiro, sabe dar.

O céu azul do Jardim Botânico/Foto: Olivia Nachle

Das tantas coisas que os gregos nos deixaram de legado, os Jogos Olímpicos e o seu Teatro, certamente, são duas poderosas manifestações de amor. Não é coincidência que estejamos, hoje, tão ansiosos para ouvir o terceiro sinal, para ver a pira olímpica acesa. Vamos juntos ver o Rio acordar. E certamente vai ser como se fosse a primeira vez.

Vista do Rio a partir do Parque das Ruínas — Santa Teresa/Foto: Olivia Nachle

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Hoje é a primeira vez que um texto é postado no Medium do Bradesco. Sou Pedrinho Fonseca e tenho a honra de escrever justo hoje, inaugurando este novo espaço para a gente se ouvir, se falar, se reconhecer. Também tenho a alegria de ter fotografado uma porção dessa cidade incrível e de ter aqui, imagens de Olivia Nachle ilustrando este texto e a nossa chegada. E terei a sorte de, nos próximos dias, escrever sobre os Jogos Rio 2016 aqui.

Caminho para Prainha/Foto: Olivia Nachle
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