Afinal, o que nós somos para você?

(Image from: Gluten Free SCD and Veggie blog)

- Tenho te observado ultimamente… — disse se aproximando de minha mesa. — Observado como as pessoas apresentam um certo receio quando se trata de você.

Continuava destampando o pequeno vidro de castanhas sortidas, sem olhar para frente, como se não estivesse lá.

- Pelo simples fato de temerem. — continuou.

Minha testa se franziu levemente. Não estava confortável.

- Não você, claro. Mas o que você faz com elas.

A tampa estava dura demais para sair. Tentei rosquear para o outro lado.

- Acho que nem percebe, não é mesmo? É tão… natural pra você.

“Droga, isso porque dizem que vem 80% menos amendoim. Imagina se não tivessem reduzido”, pensei. Amêndoas são as minhas preferidas, e claramente as que vem menos. Seguidas das castanhas de caju e nozes. O que mais têm são amendoins e passas. Droga.

- É isso que as pessoas são para você, não é?

Mastigava um pequeno punhado daquela mistura. O ar condicionado parecia estar mais forte naquela manhã. Esfregava os braços.

- Nada além de histórias

Procurava minha bolsa com os olhos por todas as partes. Devia ter deixado meu cardigã lá dentro. A sala era grande, haviam poucas pessoas porém muita bagunça.

- Personagens que vagam pelo seu cotidiano, pela sua vida…

Levei uma das mãos ao lábio inferior. Observei novamente em volta. Oh! Está debaixo da mesa.

- Histórias ambulantes sem rosto.

Com os poros arrepiados vestia meu cardigã com uma certa pressa, enquanto tomava cuidado para não derrubar o decepcionante vidro de ‘amendoins com passas’.

- Mas estava aqui pensando… eu sou diferente, não sou?

Limpava meu polegar em um pequeno guardanapo que tinha dentro da bolsa. Queria saber do que se tratavam tantas notificações na tela do celular.

- Quer dizer, somos amigos… eu acho.

Uma mulher alta de crachá havia entrado na sala, trazendo com ela uma pasta transparente com diversas folhas pautadas e um manual da área de Comunicação. Seria ela a responsável pelas aulas do segundo tempo? Melhor guardar o celular.

- Eu não sou só mais uma das suas histórias, sou?

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