A importância do escritório

Trabalhar em casa é legal. Mas jogar videogame é mais legal ainda e ambos estão muito próximos.

Não consigo ter essa visão romântica, tal qual 100% da população mundial (segundo o DataJulio, com uma margem de erro maior que a margem do Rio Amazonas), de que trabalhar de casa é legal. E isso tem uma explicação simples: ao contrário de grande parte do mundo, não lido muito bem com algumas liberdades.

Talvez esses caras sejam os culpados pela nossa geração não gostar muito de escritórios.

Veja, por exemplo, eu no buffet. O buffet é a Revolução Francesa do almoço. Você tem liberdade, igualdade, fraternidade, arroz, feijão e coxinha. Em alguns casos, você paga caro, o que também ocorreu com os girondinos (ou jacobinos, sempre confundo). Enlouqueço em frente a um buffet. Não sei o que comer, não consigo sequer pensar em como começar o prato. O resultado final é de uma anarquia que até o Bakunin falaria MAS MEU FILHO, PÕE UMA ORDEM NESSA VIDA.

O trabalho em casa é isso. É a desordem, o caos. É o Playstation próximo demais da planilha. É Netflix e documentos do Word. É o Photoshop dividindo a tela com os programas dos canais de esporte. É preciso ter a fé de um Dalai Lama para conseguir escrever um parágrafo sequer em casa.
No escritório, a coisa é diferente. Você se policia para conversar com os amigos de trabalho. Tem horas que você se sente mal quando está numa boa e o mundo das pessoas desmorona a olhos vistos. Você fica com aquela sensação de membro da Cruz Vermelha em meio a uma tragédia e a única opção possível é ir até a mesa mais próxima e perguntar se pode ser útil em algo. O escritório motiva o trabalho. Nossa casa só tem olhos para o descanso.

Admiro quem consegue levar a vida assim, dividindo o trabalho com o lazer. Pessoas que, no meio de tanta diversão, dão aquela respirada da Hortência antes de um lance livre e mergulham de chuá naquilo que necessitam fazer para que no fim do mês as coisas não estejam tão ruins. Mas minha vida ainda está no escritório. Nas idas ao café, na conversa sobre a rodada da semana, nos spoilers de séries que solto na maior das inocências. Esse respiro do escritório, aliás, é o que mais me aproxima de casa. Quando o texto não engata, o cigarro é aquela conferida no que está rolando na TV. Só que com tempo contado e com ordem.

O trabalho não liberta, ao contrário do que dizia o cartaz daquele local abominável. Entendo que precise ser repensado e que é uma das causas dos males que sofremos hoje em dia. Mas tudo tem seu lado bom: o trabalho também amplifica a sensação de liberdade dos finais de semana e da volta para casa, por exemplo. Exceto se você trabalha como o atual lateral-esquerdo do Corinthians. Aí, todo castigo é pouco. Mas isso é outra história.


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