A natureza da empatia

Se você jogar a palavra “empatia” no Google Brasil, o buscador te devolve 5.250.000 de resultados com o termo. Tem o verbete da Wikipedia, as definições de dicionário, e só a partir do sexto resultado você encontra algo que não seja uma descrição fria da palavra. Mas, afinal, o que é mesmo empatia?

Empatia não é simpatia. Não é pena. Não é dó. Não é comiseração. Empatia não é olhar para o outro a partir de uma instância superior e se acreditar no direito de determinar o que é bom ou não para quem quer que seja.

Empatia não é piedade.

Empatia é estar em contato com o seu lado mais humano. O seu lado mais vulnerável. Aquele lado que é capaz de compreender o sofrimento do outro como se ele fosse o seu próprio. É não ter medo de expor suas fraquezas, se isso for importante para estabelecer uma conexão com o outro e mostrar que, não, ele não está sozinho.

Isso é empatia.

Todos temos opiniões. Somos seres críticos, e isso não é uma chave que se liga e desliga com facilidade. Então, é natural que, ao ouvirmos alguém discorrendo sobre seus problemas e limitações, nos venha a vontade de dizer o que nos veem à mente, independentemente de ser o mais adequado a se dizer naquele dado momento. Mas isso não é ser compreensivo, não é ser paciente. Isso é não conseguir abrir mão da necessidade — tão humana — de não deixarmos escapar uma oportunidade de mostrar como somos sábios, espertos e maduros.

Isso não é empatia.

Empatia não é dizer exatamente o que o outro quer ouvir. Empatia é dizer o que o outro precisa ouvir, com amor, com doçura e com humanidade. Não se trata de dizer o que é cômodo ou conveniente, mas sim de se colocar no lugar do outro e entender o que nos faria nos sentir melhores se estivéssemos naquela situação, e aprender a aplicar isso na forma de lidar com o outro, nas palavras e no tom que usamos.

Isso é empatia.

Empatia é sabermos colocar pré-julgamentos e opiniões de lado e nos concentrarmos nas palavras que acionamos, no discurso que usamos para confortar o outro e tornar sua experiência menos dolorosa. Empatia é fazer o outro de fato acreditar que não está sozinho. Que seu sofrimento não o isola. Que ele pode ser compreendido.

Empatia é isso.

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Juliana Alvim é jornalista. Seus textos estão em http://pleasefeedthejournalist.com


Originally published at pleasefeedthejournalist.com on January 22, 2015.

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