A Nova Revista da Marvel/Panini e os Fantasmas do Monopólio

Essa semana saiu a notícia confirmando o que as “solicitações” de pré-venda da Panini Comics já sugeriam: uma nova revista de 148 páginas vai ser lançada substituindo as revistas Homem de Ferro & Thor e Capitão América & Gavião Arqueiro. A revista se chamará Vingadores: Os Maiores Heróis da Terra e aparentemente no seu mix conterá Captain America, Hulk, Savage Hulk, Iron Man, Thor: God of Thunder, Loki: Agent of Asgard e Secret Avengers. As revistas Young Avengers e Hawkeye aparentemente serão concluídas nas publicações atuais. O atual momento econômico, o mix desta nova revista e a monopolização do mercado está trazendo o fantasma derrotista e pessimista de Natais passados mais pobres.

A RETRAÇÃO DA ECONOMIA E O MERCADO DE HQs DOS ANOS 90

Explico. Todo mundo sabe que o Brasil e o mundo estão passando por uma grave crise econômica. Uma crise parecida acometeu o país e o planeta no final dos anos 1990, quando ocorreu a derrocada dos então fabulosos “Tigres Asiáticos”, os BRICS da época formados por Hong Kong, Cingapura, Taiwan e outros minipasíses do sudeste asiático.

Naquela época a crise começava a ser sentida também no mercado de quadrinhos brasileiro, que se retraiu incrivelmente passando de uma tiragem de centenas para dezenas de milhares de unidades. Vale lembrar que quem detinha os direitos de publicação da Marvel — a editora de super-heróis que mais vende no Brasil, quiçá no Mundo — era a Abril. Muitas modificações foram feitas pela editora dos Civita para segurar o mercado dos super-heróis, inclusive a famigerada linhas dos Super-Heróis Premium. Mas o primeiro passo nessa onda foi o cancelamento de revistas clássicas: Capitão América (206 números), Superaventuras Marvel (168 números), O Incrível Hulk (156 números) para poder lançar todo o conteúdo dessas revistas numa revista-almanaque: MARVEL’97.

Naquela época a Marvel estava em bancarrota e investia apenas em revistas mutantes e aracnídeas e isso se refletiu aqui: haviam quatro revistas mutantes duas aracnídeas. Hoje vemos o mesmo acontecer, mas quem dá as cartas na Casa das Ideias são os Vingadores. X-Men e Quarteto Fantástico estão por fora devido a disputa com a 20th Century Fox. A Panini Comics detém o monopólio dos super-heróis Marvel e DC Comics. E a Disney comprou a Marvel para fechar o grande ciclo de “deja vus” do natal passado.

AS SEMELHANÇAS ENTRE AS DECISÕES EDITORIAIS DOS ANOS 90 E DE HOJE

Mas também na linha editorial da Marvel, encontramos muitas semelhanças: um evento de verão que vinha ali para mudar tudo. Nos anos 90, era o Massacre Marvel que resultou no infame Heróis Renascem de Jim Lee e Rob Liefeld. Agora, estamos no limiar do evento Secret Wars — Guerras Secretas, que promete mudar de vez o Universo Marvel. Além disso, nossos heróis — esses mesmos dos títulos passava por transformações radicais. O Hulk era separado de Bruce Banner e virava uma criatura irracional, hoje temos a formação do Hulk Ômega. O Homem de Ferro era substituído por sua versão juvenil, e hoje, por sua versão vilanesca, o Homem de Ferro Superior. Thor, nos anos 90, perdia a camisa e ficava sexy, hoje também e ainda foi substituído por uma mulher. Steve Rogers perdia o soro do supersoldado e tinha de usar uma armadura e hoje, bem, hoje ele também perdeu e quem é o Capitas é o Falcão.

Bem, o mix dessa nova Os Maiores Heróis da Terra, lembra muito o de Marvel’97, que trazia Capitão América, Thor, Hulk, Vingadores, Força-Tarefa e algumas histórias capengas do Homem de Ferro, do Demolidor, do Justiceiro e do Motoqueiro Fantasma. Não que o mercado de quadrinhos esteja em retração (ou está?), mas que a semelhança/coincidência é interessante isso é. Dizem que durante a crise o único mercado que não retrai é o de hobbies e isso pode ser confirmado em qualquer crise, já que nossos queridos super-heróis são frutos de uma: a Grande Depressão de 1929, o crash da Bolsa de Valores de Nova York.

MONOPÓLIO DOS QUADRINHOS? BEM QUE EU QUERIA QUE FOSSE SÓ NO BANCO IMOBILIÁRIO DA MARVEL…

Mas tem mais um tempero que deve ser jogado nessa nossa panela fervente: a monopolização. Como qualquer bom economista sabe, monopolização não faz bem para o mercado, não faz bem para os consumidores, não faz bem para mais ninguém a não ser àqueles que detém o monopólio. Essa semana o site Judão destacou os efeitos que monopolização da distribuição de jornais e revistas no país está causando: o encolhimento do mercado e a dificuldade de editoras pequenas em colocar seu matéria à venda por esse canal.

Quem detém o monopólio de distribuir quadrinhos no país é a editora Abril, graças a uma fusão entre a sua distribuidora, a DINAP e a FC (Fernando Chinaglia Distribuidora — a grande vilã do período Panini — ou não…). Como já me foi confirmado por vários profissionais da área dos quadrinhos, a distribuidora mantém nas bancas os produtos que ela quer, cobrando preços abusivos das editoras pequenas para fazerem o mesmo.

Vale frisar que a Editora Abril possui um relacionamento estreito com o setor de publicações da Disney — a Abril foi escolhida a melhor editora de materiais Disney DO MUNDO — e bem, agora a Marvel é da Disney. Embora a Panini Comics, empresa de sede italiana, seja a detentora de direitos autorais da Marvel Comics, a Abril é uma ameaça para a publicação de super-heróis no Brasil. Lembrando mais uma vez que a editora dos Civita está publicando a linha Cartoon Network da DC Comics, com revistas como Jovens Titãs, Liga da Justiça Sem Limites, Batman: Gotham e Lanterna Verde.

Como diz Mark Millar, o mercado de quadrinhos vive em ciclos de 10 anos, e isso também diz a Teoria dos Ciclos Econômicos de Mensch sobre, bem… economia capitalista.

Pronto, acabei meu plano de marketing/teoria da conspiração e tabela F.O.F.A./profeta do A.P.O.C.A.L.I.P.S.E. do mercado de quadrinhos brasileiro. Podem me chamar para consultor agora. Meu celular é (51)… BRINKS! :D

Originally published at guilhermesmee.com on March 20, 2015.


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