Hora de aventura, a série animada nonsense do Cartoon Network sobre Finn, um garoto humano e seu amigo jake, um cachorro com poderes mágicos, é um dos desenhos mais lucrativos do canal. Conquistou também uma das maiores audiências nos Estados Unidos e Brasil, entre crianças e veja… também adolescentes e adultos.


Hora de aventura

Poderia ser apenas mais um desenho infantil como outro qualquer, mas muitas das piadas da série não poderiam ser “pescadas” por crianças, algumas são até censuradas na versão brasileira. A história se passa em um futuro pós-apocalíptico, após a “Grande Guerra dos Cogumelos”, que trouxe a magia de volta para nosso mundo.

A Guerra dos Cogumelos, uma alegoria para a última Grande Guerra Mundial que destruiu a civilização mas trouxe poderes mágicos ao mundo.
Durante a Guerra dos Cogumelos, Simon ( o futuro Rei Gelado ) tenta impedir a destruição congelando uma bomba nuclear com seus poderes mágicos recém adquiridos, mas não consegue. Então ele se congela para se proteger, e a bomba destrói uma grande parte da Terra.
Finn é único humano restante da terra. Ele foi encontrado pela família de Jake e foram criados como irmãos.

A princípio, a identidade estética do desenho pode não atrair adultos: um futuro fantástico, sem seres humanos, criaturas falantes, cores vibrantes extremamente saturadas, objetos inanimados ganham vida entre outros supostos clichês das fábulas infantis, porém Hora de Aventura tem algo de especial. Não é apenas uma série cômica, mas sim uma saga dramática com um arco narrativo envolvente, em mudança constante dentro de um grande universo com histórias interligadas, personagens bem desenvolvidos e um senso de humor inteligente. A série é repleta de sutilezas e diálogos leves, muitas vezes carregados de gírias modernas. Não há roteirização, a série é criada diretamente nos storyboards e os diálogos são muitas vezes improvisados direto no desenho dando um tom de leveza e simplicidade nas situações e nos diálogos. Mas não se deixe enganar pela simplicidade, há uma maestria na transcrição para o universo infantil, parecido com o que Spike Jonze fez no cinema com o filme “Onde vivem os monstros”, do livro homônimo escrito por Maurice Sendak em 1963.

O episódio piloto estreou em 2006 no canal Nickelodeon, produzido por uma pequena empresa chamada Frederator Studios. Mas não houve interesse do canal em adquirir a série. O criador da série, Pendleton Ward, publicou o piloto na internet e virou um hit de acessos imediatamente. O Cartoon Network resolveu adquirir os direitos da série, desde que ela carregasse todos os elementos do episódio piloto. Parte da inspiração de Pendleton Ward veio de outra série americana épica e inesquecível, muito conhecida aqui no Brasil: Caverna do Dragão. Pendleton confessa ter jogado muito RPG quando era adolescente, além de assistir muitos episódios de Beavis & Butt Head, a dupla de roqueiros retardados com diálogos bizarros sobre assuntos aleatórios. Mas também pode-se notar muitas referências dos mundos fabulosos de fantasia criados pelos estúdios Ghibli, como A viagem de Chihiro, Meu Vizinho Totoro, entre outros.

Dizem que a série está chegando ao fim em sua sexta temporada. Ainda são rumores, mas coisas importantes irão acontecer.

Não há muito mais o que dizer além do fato de que a série é muito querida, cativante e carismática. Para aqueles que ainda carregam no coração uma luzinha do espírito infantil, pode ser que desperte algum interesse.

Siga o Medium Brasil | TwitterFacebookRSSCanal oficial