

Frank,
Você mudou. Estou tendo dificuldades para entender você como eu entendia antes. Quando meus amigos perguntam sobre você (e eles perguntam, porque se preocupam), eu não sei mais o que dizer. Estou escrevendo na esperança de que você se lembre do homem que já foi outrora e para que deixe este homem de antes mostrar-lhe o homem que você poderia ser.
Para ser justo, uma mudança que deve fazer é a de não mudar mais. Deixe-me ser claro: você se adaptava bem. Um véu de mistério cercava seus atos porque nunca sabíamos se iria usar suas palavras gentis ou descer o cacete. Você sempre foi implacável e continua sendo, mas aonde foi parar sua astúcia? O mestre manipulador acabou ofuscado por um cara reto e com um único objetivo. Não me impressiono mais com suas habilidades pessoais. Você não vê mais os pontos óbvios de pressão. Você está cego para os apelos emocionais e vê apenas a insubordinação. Acorda, Frank!
A gente não se fala mais. Eu sei que é pedir muito, mas é a verdade! Eu sinto falta de quando você ficava vulnerável junto com a gente. Sinto falta de quando você passava um tempo nos dando pistas do que rolava na sua mente. Você nunca foi comunicativo, não tem problema, era até preferível. Mas agora eu tenho a sensação de que nós não conversamos de maneira alguma. Nos raros momentos em que falamos, você só faz graça de longe com a idiotice alheia. Isso não é novidade, mas você costumava fazer mais isso. Eu te entendia. Agora não sei dizer se entendo.
Não tenho medo da mudança. E você não é o único que mudou. Mas você é o único que eu me importo o suficiente para desafiar. Queremos apenas vê-lo crescer! Apenas não se perca e não se distancie de nós que trilhamos todo esse caminho com você até aqui. Eu sei que não tenho autoridade para nada, mas só queria te deixar entrar um pouco na minha cabeça — como o homem que eu conhecia deixava.