Princesa Reema Bint Bandar Al Saud no palco da SXSW 2015

Meus 5 melhores momentos no #SXSW

Enquanto escrevo isso, estou 30 mil pés acima do nível do mar, em algum lugar no meio dos EUA, dentro do voo de duas horas para voltar de Austin a Chicago. E é seguro dizer que estou com depressão pós SXSW. Estou cansado, minha voz se foi e provavelmente estou ficando resfriado, mas meu cérebro está cheio, a minha imaginação está excitada e a minha energia mental está alta.

Ao ler as minhas notas, pensei que eu iria partilhar alguns dos meus momentos favoritos dos últimos dias. Eu sou péssimo em tomar notas, portanto o que vem a seguir pode não ser exatamente o que eu quis anotar, mas o sentimento está presente. Caso alguém tenha correções ou atualizações para me recomendar, por favor me avise nos comentários!

Em nenhuma ordem particular:

1. Princesa Reema Bint Bandar Al Saud (sobre igualdade de gênero na Arábia Saudita)

A igualdade de gênero no mundo da tecnologia é um tema quente atualmente (basta perguntar ao Eric Schmidt), mas ouvir sobre as condições de trabalho das mulheres na Arábia Saudita nos dá uma luz sobre os progressos que precisam ser feitos fora da nossa indústria de tecnologia, que frequentemente fica presa dentro de uma bolha.

A Princesa Reema compartilhou que, até alguns anos atrás, as mulheres não podiam trabalhar legalmente na Arábia Saudita. Quando as leis foram alteradas para permitir que as mulheres trabalhassem, foi preciso que eles lidassem com outras questões (as mulheres não podiam dirigir; a maior parte delas não tinha uma conta bancária para receber o salário; a maioria delas não tinha habilidades básicas de trabalho — como usar o e-mail —; e há o peso das expectativas da família — especialmente da família dos maridos — em torno das tradições femininas da Arábia Saudita) para as quais a Princesa Reema criou programas a fim de atualizar as mulheres locais e fazer com que elas pudessem desempenhar os seus papéis como membros altamente eficazes da força de trabalho do seu país.

Uma palestra muito inspiradora de alguém com uma compreensão única e mundial da (des)igualdade de gênero .

2. Jack Welch (sobre "o que ele temia")

Eu tenho um fraco por vulnerabilidade e ver um líder tão forte se abrir emocionalmente no palco foi incrivelmente impactante e raro. Tudo aconteceu como resultado de Jack ter sido questionado sobre "o que ele temia", partindo de uma perspectiva dos negócios.

A resposta de Jack foi que, como líder da GE, ele foi para a cama todas as noites pensando nos milhares de funcionários que detinham ações da empresa. Ele descreveu isso como "como uma imensa pedra presa no meu pescoço" e disse que nunca tinha passado por uma pressão como essa antes — especialmente nos dias em que as ações caíam. Ele falou sobre como o futuro das famílias estava sendo investido no desempenho das ações e sobre como os momentos mais felizes da sua carreira aconteceram, muitas vezes, enquanto ele recebia relatórios de saques de ações feitos por funcionários.

Essa palestra talvez não tenha trazido uma visão profunda ou um momento de aprendizagem, mas tem um sentimento incrivelmente puro e humano vindo de um grande e respeitável líder empresarial. Eu sei que a multidão certamente apreciou os insights compartilhados sobre a pressão com que os líderes das nossas mais respeitadas empresas são obrigados a lidar diariamente.

3. Daniel Pink (sobre "conduzir a mudança comportamental")

Naquela que foi provavelmente a minha palestra favorita, com uma base "o que eu aprendi e como usei isso”, Daniel Pink compartilhou 7 táticas de como conduzir uma mudança comportamental. Eu não vou apresentar todas elas aqui, pois elas precisam das histórias e experiências por trás delas para fazerem sentido, mas havia uma — a que usava o medo para mudar o comportamento -- que realmente me surpreendeu.

Muitas vezes, nós recorremos ao medo para impulsionar uma mudança comportamental. Daniel compartilhou a visão de que o medo pode ser um mecanismo extremamente poderoso para conduzir a mudança de comportamento, mas apenas quando voltado para a mudança comportamental muito específica. Você não pode usar o medo para fazer alguém pensar de forma diferente sobre algo ou fazer qualquer coisa conceitual, abstrata ou estratégica, mas você pode usá-lo para alterar especificamente uma forma particular de fazer as coisas.

Daniel expôs que as emoções negativas (que resultam do medo) restringem o nosso foco como se colocássemos viseiras. Ele citou o exemplo da fuga de um prédio em chamas — ninguém pensa em nada além de sair do prédio. Isso é muito útil enquanto se tem uma necessidade, mas se você tentasse focar em algo menos específico — como o alarme de incêndio acionado — não seria possível expandir o seu foco. Ele apresentou um experimento no qual pessoas ouviam as “instruções de segurança pré-voo” que são dadas antes do avião decolar. Com a introdução do medo nas instruções (em frases como "você tem 40% mais chance de morrer em um acidente se não souber o que fazer em uma situação emergencial") eles foram capazes de aumentar tanto a atenção dos passageiros quanto diminuir o tempo de evacuação da aeronave (em um simulador.).

Daniel foi mais fundo na ideia da restrição de foco, dizendo que você poderia usar isso em um sentido de “se não conseguirmos mais três vendas até sexta-feira, nós teremos que sair do mercado” (e você provavelmente aumentará as suas chances de conseguir essas vendas), mas não no sentido de "se nós não criarmos um novo produto até sexta-feira, nós teremos que sair do mercado" (já que a restrição do foco desliga o pensamento amplo, em vez de motivá-lo).

Ele mencionou que estava trabalhando em um programa de TV no ano passado. O programa se chama "Crowd Control" — eu assistirei, sem dúvida.

4. Gary Vaynerchuk (sobre "como ser um líder melhor nos negócios")

A palestra de Gary Vaynerchuk & Jack Welch foi uma hora incrivelmente sensacional, mas a resposta de Gary quando perguntado sobre um último conselho para tornar-se um líder melhor nos negócios foi uma das melhores partes do SXSW na minha opinião.

“Autoestima & Empatia. Ou, em termos mais simples, pare de desmoralizar a si mesmo e não dê a mínima para as outras pessoas”

Essa é uma frase relativamente fácil de se entender — dita na forma mais típica de Gary — e não precisa de muita explicação. Duas grandes habilidades para se pensar e para desenvolvermos. (Aliás, Gary também acfredita que essas são as primeiras características que ele procura quando está contratando alguém — o que não é uma grande surpresa.)

5. The Flaming Lips (sobre vida, amor & “explodir a minha mente”)

The Flaming Lips, no Moody Theater, SXSW 2015.

Eu pensei em essa lista séria e deixar este evento de fora, mas foi um bom show e seria impossível fazer isso. Eu só assisti aos Flaming Lips uma vez, ao ar livre, e por isso vê-los em um local menor, com todas os incrementos audiovisuais peculiares (telas enormes, balões, canhões de confete, arco-íris dançantes etc.), foi realmente um prazer para todos os meus sentidos.

Vale muito a pena assisti-los sempre que você tiver a chance.


Vejo você ano que vem, Austin.


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