Os dois melhores conselhos que David Carr já me deu

Na última década, David Carr derramou baldes de conselhos sobre mim. Ele me aconselhou durante o meu primeiro e segundo livro. Ajudou-me a encontrar um caminho escondido no The New York Times para me tornar um colunista. Mas o seu conselho mais relevante veio no verão de 2011, quando o meu casamento, na época, estava caindo aos pedaços.

Eu havia ido para Los Angeles por um mês para tentar escapar de Nova Iorque, onde a vida que eu tinha construído estava desmoronando. Após a minha chegada em Hollywood eu havia pegado uma mesa vazia no escritório de LA do The New York Times. Enquanto o novo ambiente era uma distração temporária, muitas vezes eu fiz caminhadas rápidas até o térreo, onde comecei a chorar e senti pena de mim mesmo, oprimido pelo o que a vida estava jogando no meu caminho.

Enquanto eu estava fora em uma tarde, fazendo exatamente isso, meu telefone tocou com uma mensagem de David Carr. “Como você está, Nickols?”, ele perguntou, um apelido que ele muitas vezes usava no lugar de Nick.

Em lágrimas, eu lhe disse: “Nada bem.”, explicando que tudo estava acabado. Que a minha vida tinha desmoronado. Que eu..., — em seguida, ele calmamente me interrompeu, explicando que ele estava em Los Angeles em uma viagem de última hora, e me instruiu para encontrá-lo na cobertura do hotel Standard Downtown em 30 minutos. “Não tome a auto-estrada”, disse ele. “Eu nunca vou vê-lo novamente.”

Eu pulei no meu carro, passei por ruas laterais, e um passeio de elevador depois me encontrei no telhado do hotel que poderia facilmente ter sido em Miami Beach durante as férias de primavera. Música Rap estava explodindo, as pessoas estavam à beira da piscina, e no meio deste sarau vespertino, estava David Carr, sentado em uma grande poltrona vermelha. Ele estava descalço, em shorts pretos e uma grande camiseta. Sua cabeça estava caída enquanto ele olhava a própria foto no The New York Times usando uma das mãos, enquanto saboreava um cocktail virgem com um guarda-chuva na outra.

Olhei para mim mesmo, percebendo que eu estava vestido como um contador, e rapidamente tirei meus sapatos de trabalho, arregacei as mangas da minha camisa e fui em sua direção ainda vestindo minhas meias.

“Nickols!”, disse David, quando ele se levantou para me abraçar. Ele, então, fez um gesto para que eu me sentasse em uma cadeira ao lado da piscina, onde disse que me daria dois importantes conselhos.

Ele começou com o primeiro, falando um longo monólogo sobre a vida, o casamento, o jornalismo, por que estamos aqui, por que morremos, por que as coisas começam, por que elas acabam. Como alguém que também havia passado por um divórcio, fazendo algumas paradas não programadas no inferno antes de voltar, ele estava apaixonado. Ele explicou que tudo cada relacionamento, cada pessoa, cada trabalho tem seu tempo na vida, e então, como ele observou, de repente, deixa de ter. Ele me disse que eu podia sentir pena de mim mesmo porque algo estava terminando, ou ficar animado e agradecido por aquela situação, na verdade, nunca ter existido. Ele falou sobre sua esposa e filhas como um exemplo das coisas boas que a vida joga em você.

Olhei este grande e bonito homem, que foi tão gentil, carinhoso e generoso com sua sabedoria. Ele parecia um maestro, agitando os braços, enquanto apontava para os telhados de LA, e então para as mulheres que encontravam-se à beira da piscina em biquínis, e, em seguida, para a cópia do jornal que agora repousava ao nosso lado. Cada ponto era um adereço para ilustrar seus pensamentos.

Depois que concluiu, ele se sentou, sorriu para mim de uma forma que só David sabia, me deu um tapinha nas costas e me disse para me animar, que eu iria ficar melhor, que tudo sempre fica. Seus olhos me diziam que todos nós éramos apenas seres humanos tristes tentando sobreviver a esta difícil coisa chamada vida, e ele queria fazer qualquer coisa que podia para ajudar aquele homem decepcionado em sua frente. Em seguida, David se recostou na cadeira e tomou um gole de sua bebida com enfeite de guarda-chuva.

Mas claro que eu queria saber qual era o segundo conselho, então eu perguntei, me preparando para um sermão ainda mais profundo do que o primeiro.

Ele olhou para mim, em seguida, para o chão, apontou para os meus pés e disse: “Compre algumas meias novas, você fica ridículo nessas meias.”


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