Por que Criativos Talentosos Estão Deixando sua Agência de Merda

O êxodo de talentos sobre o qual ouvíamos muito nas escalas executivas e diretivas agora está descendo para os jovens inteligentes e criativos do digital e mobile, planners e gestores


Publicado originalmente no blog Mobile Inc[1]


por Murat Mutlu[2]

Ao longo dos últimos meses, parece que continuo a ter a mesma conversa, de novo e de novo, com amigos em dezenas de agências por Londres, que normalmente começa assim:

“Qual é a melhor agência do momento? Alguém está fazendo um bom trabalho?”

E termina com eles explicando por que estão pensando em seguir em frente. Os motivos são sempre os mesmos:

“Quero trabalhar em um produto real que as pessoas queiram usar.”
“Quero construir minha própria iniciativa.”
“Quero explorar mais as novas tecnologias e ideias, não engodos.”
“Nunca fazemos um trabalho interessante.”
“A gente se preocupa apenas em alcançar metas.”
“Não sinto que estou aprendendo.”
“A gente não se impõe e diz ao cliente que as ideias dele são uma merda.”

O êxodo de talentos sobre o qual ouvíamos muito nas escalas executivas e diretivas agora está descendo para os jovens inteligentes e criativos do digital e mobile, planners e gestores.

E você pode culpá-los?

As pessoas que geram todas as ideias e trabalham estão evoluindo e percebendo que eles mesmos poderiam estar colhendo as recompensas em vez da agência.

As agências, por outro lado, estão felizes, tentando continuar a viver em um mundo que está deixando de existir. Estão se apegando às mesmas ideias, ferramentas e modos de trabalho com CEOs alheios à mentalidade atual ou muito assustados para instigar as mudanças.

Esse temporal é perfeito para aumentar o empreendedorismo e diminuir a lealdade para com uma indústria que se deleita com a mediocridade.

Startups estão oferecendo salários iguais ou melhores que as agências, com mais vantagens e chances iguais; as marcas passaram a fazer o design e estão desenvolvendo internamente depois de perceber que estavam gastando uma quantia absurda de dinheiro por trabalhos abaixo do padrão; desenvolvedores de produtos e estúdios de design estão emergindo com jovens e talentosos líderes, e, claro, a tecnologia está diminuindo a barreira para alguém começar seu próprio negócio, tanto em tempo como nos custos, enquanto o mercado freelance também cresce.

Muitas agências oferecem qualquer coisa como tendência para que pareçam relevantes aos clientes existentes e aos potenciais (que, infelizmente, compram essa merda). Seja isso UX (que nunca vai além de wireframes), Design Centrado no Usuário, MVP, incubadoras ou o que brilhe mais atualmente, como laboratórios de inovação.

Ainda que muitos gritem “Bem, as agências não são sobre inovação ou criatividade estilo hacker, são apenas taxímetros para horas trabalhadas”, a triste verdade é que sendo isso ou não, é assim que elas se vendem, não só para os clientes mas também para os funcionários, e esse é o problema.

Fazem-se promessas em descrições de trabalho e em entrevistas de emprego, mas não se mantêm.

Você nunca será introduzido em uma agência que diga “Nós nos orgulhamos em criar para as marcas apps que ninguém quer e produzir banners que ninguém clica; nós dizemos sim para todas as sugestões idiotas dos nossos clientes, porque sabemos que é a maneira mais fácil de ganhar dinheiro. Ah, e você vai sair daqui com nada que valha a pena para colocar no seu portfólio! Quer se juntar a nós?”

O talento está lá, assim como o desejo: as agências podem tentar estancar o sangramento e criar lugares onde as pessoas talentosas queiram usar suas habilidades para construir coisas excelentes para clientes e usuários, ou eles vão levar sua paixão e curiosidade para outro lugar e abandonar essa madeira podre.

Então, aqui está uma lista pequena mas potente, com uma visão a partir da base para executivos de agências e CEOs. São as minhas próprias reflexões e do meu pessoal, coletadas de designers e criativos (e alguns gestores, desenvolvedores e planners também) nas agências de Londres.

1) Você não para de pegar trabalhos de merda

Entendemos que você é uma agência, precisa manter as luzes acesas e pagar as pessoas. Nós sacamos. Todo mundo saca isso. Mas ao mesmo tempo esperamos que você tenha ambições, assim como nós.

No começo era legal dispor da facilidade do GIF animado para banners mobile e da mesmice dos apps de realidade aumentada, assim como achávamos legal fazer panfletos de festas quando entramos na faculdade de design, mas, depois de um tempo, essa merda tem que parar e você precisa mirar mais alto.

É o seu trabalho conseguir que as melhores marcas e empresas façam projetos interessantes que expandam nossos limites. Se você não está conquistando esses projetos, então é algo que você precisa resolver. É sua responsabilidade.

Veja, ficamos felizes em polir uma bosta ou duas, faz parte do trabalho e, algumas vezes, pode mesmo ser uma pausa bem-vinda nos projetos intensos.

Mas meses e meses da mesma merda antiquada, sem sentido e destruidora de almas para marcas e clientes que não têm nenhum desejo de fazer um bom trabalho é tóxico, não apenas para os criativos (e nossos portfólios), mas para todo o pessoal.

Não tenho dúvida de que, quando você decidiu abrir sua agência, sonhava criar um trabalho incrível e fazer a indústria progredir, não com apps que incluem perucas em fotos.

Adoro este diálogo do filme “O Homem que Mudou o Jogo” (Moneyball):

Eu não estou lhe pedindo dez, nem vinte, nem trinta milhões. Só estou pedindo a sua ajuda, pra eu chegar mais perto e lhe dar aquele time campeão. É pra isso que estou aqui. É pra isso que você me contratou. E eu tenho que lhe perguntar: o que estamos fazendo aqui?

Se não é para fazer um ótimo trabalho, o que você está fazendo?

Quer apenas ganhar dinheiro fazendo qualquer porcaria velha na esperança de um dia vender ao Martin Sorrell? Bom para você, mas apenas nos diga isso na entrevista.

2) Você não inova

Um dos piores sentimentos de um criativo no ambiente digital ou mobile é sentir como se o mercado estivesse passando por cima de você.

No tempo que leva para terminar um ou dois projetos medíocres, a indústria dá mais um salto em frente com novos softwares, frameworks, serviços, dispositivos, APIs, padrões de design e interações, e nós ficamos um passo atrás.

O lugar onde você gasta oito horas ou mais por dia deveria ensinar-lhe novas habilidades, dando-lhe experiência prática e fazendo-o progredir como designer.

Os clientes quase sempre são reativos, avessos ao risco: querem alguma coisa que todo mundo já fez à exaustão. No momento em que lhe dão uma pauta, já é notícia velha.

Se em alguma rara ocasião querem algo novo, nunca é separado da marca: é sempre na tentativa de vender algo para alguém. Isso virá com tantas restrições que já não será útil nem interessante — “Oh, o departamento jurídico sugeriu tirar fora aquela coisa incrível que faz todo o projeto valer a pena.”

É compreensível que clientes tenham esse comportamento. As marcas podem não se sair bem se colocadas em experimentos e protótipos em meio ao mercado selvagem, mas não há motivos para você não explorar essas coisas sem eles.

Se você vende “inovação” como uma das competências da sua agência (quem não faz isso hoje em dia?), então você tem que, pura e simplesmente, fazer experimentos e protótipos com tecnologia.

É chocante que tantas agências saiam por aí dizendo-se inovadoras e não tenham nada para mostrar. Oh, então você adora tanto inovar que nunca cria nada internamente? Sua criatividade para no trabalho para o cliente, não é? Faça-nos um favor, pare com essa estupidez.

Parece haver essa ideia errada de que fazer algo interessante com tecnologia depende de muito tempo e dinheiro se um cliente não estiver pagando por isso. Essa é uma besteira total e absoluta.

Nos últimos meses presenciei dois hackdays diferentes em que indivíduos e pequenas equipes faziam coisas em horas, não em semanas ou meses. Esses caras estavam equipados com nada além de paixão e desejo pelo que fazem.

É simples: a autonomia não diluída pode produzir coisas incríveis para o seu negócio se você prover o ambiente certo para que isso aconteça e apenas sair um pouco da frente.

3) Você continua contratando lixo (e não faz nada sobre isso)

Paixão e engajamento são contagiosos. Mas a negatividade e a mediocridade também.

Não há nada mais brutal do que ver os sujeitos de nível C derrubar os de nível A. E quando as pessoas no nível A saírem, quem vai atrair o futuro talento?

Agências são lugares com ritmo acelerado de trabalho e é comum que as equipes aumentem num piscar de olhos.

É inevitável cometer erros nas contratações em momentos de pressão, mas o problema é você não ter coragem de corrigi-los antes que seja tarde demais.

Contratações ruins são como o câncer: derrubam o moral, o trabalho e a confiança no negócio.

Stephanie Travis escreveu um ótimo post sobre contratações:

Você deve isso ao pessoal que está fazendo as coisas certas. Não os arraste para baixo com uma personalidade que não se encaixa ou com habilidades aquém do sensacional.
Portanto se você está tentando aumentar sua equipe, foque na qualidade. Não a sacrifique. Não contrate rápido demais apenas porque conseguiu o dinheiro ou por estar sentindo a pressão para fazer as coisas acontecerem. No instante em que comprometer a qualidade, você já começou a afundar.

E como corrigir isso? Um conselho de Mark Suster:

Uma das coisas que me diz que os gestores não vão fazer um trabalho extraordinariamente bem-sucedido é quando eles não estão sempre recrutando. Já vi isso antes: eu lhes envio um indivíduo talentoso e eles dizem “Nós não temos uma função para essa pessoa.”
Verdade? Eu sempre tenho uma função para pessoas talentosas. Posso não ter VERBA para pessoas talentosas — mas sempre tenho uma função para elas. Qual função? Ninguém sabe, porra! Mas me permita pelo menos tomar um café com elas e sentir seu entusiasmo, talento e ambição.
Eu poderia decidir por fazer um upgrade na minha equipe. Ou poderia prepará-la para quando tiver mais dinheiro e mais receita. Posso não ser capaz de convencê-los agora, mas quero que eles conheçam minha empresa, assim, quando eu estiver pronto para pisar no acelerador, terei uma lista de pessoas de alto nível que desejo.

4) Você não para de pegar projetos que não podem ser entregues sem que se trabalhe 12 horas por dia neles

Ahhh, trabalhar até as 9 da noite vários dias por semana é apenas o jeito de ser das agências, certo? Errado. Isso é má gestão.

Diga aos seus gerentes de conta (ou a si mesmo) que parem de vender coisas que não podem ser concluídas sem que trabalhemos até morrer.

Vi pessoas estressarem a saúde, os relacionamentos e a vida familiar; a troco do quê? Assim um desodorante conseguiria ter uma marca mais chamativa? Assim se cumpriria o prazo irreal que você prometeu tentando marcar um gol? Ou assim o cliente receberia dezenas de mockups antes de sair de férias?

Essa é a publicidade da qual estamos falando, não daquelas de alto nível. Tudo o que fazemos é esquecido em seis meses. Quem se importa?

Matt Steel colocou isso em perspectiva em um post brilhante, de leitura obrigatória:

Antes de seu trabalho como coach de negócios, Peleg dirigiu uma bem-sucedida empresa de design em Los Angeles. Uma vez ele me disse que, nos 18 anos em que foi dono, nunca encontrou uma emergência real. Essa verdade simples ressoou profundamente em mim. Na empresa de Peleg, eles não estavam salvando vidas ou lutando guerras. Era uma empresa de serviços, e eles viviam de acordo com isso. Sua equipe ficava no escritório das 9 às 18 horas de segunda a quinta e até as 14 horas nas sextas. Estabeleceram prazos realistas para os clientes e os cumpriram. O negócio prosperou. Mas não atendiam telefones de noite nem estavam disponíveis nos finais de semana. A equipe de Peleg tinha limites claros e conhecidos, e seus clientes estavam felizes. Eles trabalhavam quando estavam descansados e presentes. A qualidade da produção falava por si.

Como Matt diz mais à frente em seu post, às vezes você precisa ficar até mais tarde por ter criado um problema ou porque precisa aprender a usar uma nova ferramenta, mas vários prazos irreais para serem cumpridos significa que você parou de ser criativo. Você começa a trabalhar por conta do medo.

Quando o medo governa nossas vidas, mesmo a vocação mais incrível na vida pode ser rebaixada para uma mera carreira. Na trajetória do medo, carreiras minguam através do purgatório cinza dos empregos, os quais se amontoam nos tremendos portões de fogo da escravidão.

O medo torna-se a força motriz: o medo de furar um prazo, de desapontar um cliente ou de perder tempo tentando encontrar inspiração. Você começa a produzir e esquece a razão pela qual queria ser um criativo em primeiro lugar.

As recompensas para os criativos são mínimas, ficamos felizes com um tapinha nas costas e por ser incluídos em um “obrigado por seu esforço” no email enviado para todos, mas as chances de ganhar dinheiro, participação (risos) ou mesmo conseguir o nome citado no press release por todo aquele árduo trabalho são próximas de zero.

O que nos leva ao próximo ponto:

5) Você não dá nenhum crédito ao time

Na real, eu não entendo por que as agências não dão exposição para as pessoas que fazem o trabalho de verdade.

Em vez de colocar mais uma merda de citação genérica do CEO/Diretor de Criação num pedaço de press release, por que não falar das pessoas que fizeram realmente o trabalho do projeto e arriscaram suas bundas para cumprir o prazo?

O criativo júnior que ficou até mais tarde por duas semanas fazendo o projeto acontecer, o gerente de contas que, nos finais de semana, aguentou as ligações do cliente pedindo por um logo maior: esses caras são os heróis da agência.

Emails de “Obrigado” são ótimos, mas não aparecem no Google e você não pode incluí-los no blog ou no currículo.

Faça a coisa certa.

Jules martelou na cabeça do prego:

As agências de publicidade escondem as pessoas que realmente atendem as necessidades do cliente, os criativos, por trás de camadas inflacionadas de gerenciamento de conta que garantam o máximo de faturamento enquanto todo mundo na agência brinca de Paciência, em detrimento do cliente.

Outro jeito de dar exposição ao time é começar um blog e todo mundo contribuir. As agências estão cheias de pessoas engajadas em ideias e paixões, então por que não permitir que dediquem um tempo ao blog?

Blogs como Made By Many, Teehan+Lax e ustwo são bons exemplos de como se fazer isso. Há um amplo leque de contribuições — designers, planners, gerentes de projetos e desenvolvedores.

Cada post facilita conhecer mais sobre o autor e seu papel na agência. Os autores são claramente apaixonados sobre as coisas que escrevem, sobre compartilhar o processo de trabalho, interesses pessoais, dicas e ideias.

A agência provê a plataforma e, com os benefícios do conteúdo, todo mundo ganha: os colaboradores constroem sua reputação e presença na indústria.

6) Você não compra equipamento decente para nós

Esta é imbecil. Dê aos seus designers a porra de algumas telas grandes.

Alguma vez você já teve que alternar entre desenhar no Photoshop, um PDF com os wireframes, o email do cliente pedindo alterações, o Facebook e o Twitter num monitor LCD 15" xexelento da Dell que o último diretor financeiro deixou para trás?

Esta citação de um executivo de uma agência resume tudo:

Minha anedota recente é quando um dos nossos novos contratados me mandou um email pedindo dois monitores e que um deles fosse grande. Apenas repassei o email para aquela garota do gerente sugerindo que ela viesse conferir meu pequeno monitor 15" no qual eu arraso.

Uau, aposto que esse cara é engraçado na revisão salarial.

Estou certo que um 15" é de boa para ler emails e renovar o título de sócio do clube de golfe, mas para coisas bem mais críticas para o seu negócio, como, você sabe, o trabalho real que traz o dinheiro, o monitor terá que ser maior.

É bem simples: fazemos um trabalho melhor com melhores equipamentos e softwares. Se levo mais de 10 segundos para mover um gráfico Retina para o Photoshop na minha máquina tosqueira, pode ter certeza que a perfeição no nível do pixel não vai ser minha prioridade quando os prazos estiverem pra se esgotar.

Nosso trabalho é criar, não se preocupar com o equipamento antigo que você arrastou para fora do armário. Nenhum designer quer jogar “Adivinhe se o Photoshop travou” pela metade do dia.

Falta grana? A Apple vende com planos de financiamento e o HotUKDeals manda promoções diárias por email. Ah, e tem o eBay.

Fim

Então, é isso o que você tem.

Eu sei que as pessoas vão dizer que as agências sempre tiveram alta rotatividade de funcionários e que razões para isso sempre existiram, mas venho fazendo isso há pouco mais de sete anos e sinto que desta vez é diferente.

Há muito mais opções agora do que havia 3 ou 4 anos atrás, a forma como as pessoas estão falando e o clima geral mudou completamente.

Mesmo trabalhando na Isobar, cada recém-formado talentoso ou jovem designer de interface que tentei recrutar queria ter experiência de trabalho em produtos. Eles não se preocupavam com o tipo de trabalho produzido na agência. As marcas também não eram um atrativo. Aplicativo de iPhone para uma cervejaria? Site mobile para um creme hidratante? E daí?

Quando um dos designer me disse “Eu quero cuidar dos usuários, não das marcas” fiquei sem resposta — ele estava certo. Isso é tudo o que você realmente faz em um lugar como aquele.

Mantive contato com alguns deles, e agora trabalham em empresas de tecnologia ou startups.

Uma vez que experimentem problemas reais e se importem com o usuário final, vai ser praticamente impossível voltar a fazer as perfumarias do marketing.

Dustin Curtis escreveu em um post:

Aprender a pensar assim é descobrir-se no meio da vida como uma ave que não voa — mas com asas e que pode voar. E quando descobrir isso, não haverá volta. É viciante e poderoso. Isso arruína sua capacidade de ser uma abelha operária, pois você provou o sabor do sangue: torna-se uma abelha assassina, querendo entender por que as coisas são do jeito que são, encontrar suas falhas e empurrar o universo para frente, corrigindo-as.

Esse sentimento é o que raramente os executivos compreendem, mas é fundamental para se ligar no futuro desta indústria. Talvez quando os hackers e criadores estiverem comandando o show, as coisas mudem.

É hora de acabar com isso, graças a todos os que colaboraram!


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Notas do tradutor

  1. Traduzido e reproduzido com autorização do proprietário do conteúdo.
  2. Murat Mutlu é designer e cofundador da startup Marvel.