

Por que eu implantei um chip RFID na mão
Me irrita que a maioria das geladeiras sejam mais conectadas do que eu.

Na semana passada, injetei um chip RFID na mão direita.
Por quê?
Na verdade, foi um impulso do momento.
Eu estava na conferência da Singularity University, em Amsterdam. E, uma hora antes da minha fala, Raymond McCauley, presidente do curso de Biotecnologia e Bioinformática da SU, teve um chip RFID inserido na mão dele — ao vivo no palco.
O chip RFID (Radio Frequency Identification — Identificação de Radiofrequência) era um modelo xNT envolto em uma carcaça cilíndrica de vidro biocompatível de 2x12mm. Super pequeno — do tamanho de um grão de arroz — administrado por via subcutânea.
Todo o processo levou menos de 3 minutos e parecia muito simples. Por isso, quando me foi oferecida a oportunidade de fazer o mesmo, eu concordei.
A dor era mínima, uma escala 3 de 10, e deixou um pequeno ferimento. E um pouco de dor, que me impediu de dar apertos de mãos por 24 horas.
Então, novamente, por que fazer isso?
O objetivo para incorporar um chip RFID ainda está por aparecer…
A curto prazo, dispositivos implantados, como o RFID xNT, permitirão uma perfeita interação com a Internet das Coisas (IoT) ao nosso redor. Destravar portas com um aceno de mão, ligar o carro ou, talvez, pagar um café com Bitcoin armazenado na memória.
Mas, honestamente, para mim é muito mais um experimento: como eu me sentiria tendo tecnologia inserida dentro do meu corpo?

Externo e interno
Com toda a sinceridade, acho que a biohacking — o ser humano cibórgue — é uma eventualidade que se materializará quando a proposição de valor for alta o suficiente. Muitas empresas grandes como Apple, Samsung e Google estão trabalhando em tecnologias para medir a biologia fora do seu corpo. Dispositivos vestíveis, que vão desde relógios a lentes de contato, irão acompanhar tudo... Passos, frequência cardíaca, glicemia, pressão arterial e outros sinais vitais críticos. O desafio é que eles funcionam apenas quando você lembra de vesti-los, e há algumas coisas que não podem ser medidas de fora do corpo.
A questão é: quando você estaria pronto para começar a incorporar tecnologia ao seu corpo? Se isso te ajudasse a viver mais, ficar longe do hospital e estar saudável por mais tempo, você usaria?

Por exemplo
Recentemente, o Google descreveu o seu “plano ambicioso de usar nanopartículas magnéticas circulando pelo sangue para detectar e avisar sinais de câncer ou de um ataque cardíaco iminente.” Apesar do projeto ser muito difícil e estar longe de chegar ao mercado, o potencial existe.
Hospitais pelo mundo já usam marcapassos e desfibriladores implantáveis. Pesquisadores do MIT estão desenvolvendo um sensor sob a pele que, segundo eles, poderia ser “útil no monitoramento do câncer ou outras doenças que causam inflamação… Capaz de detectar reações imunológicas em pacientes que tem próteses ou outros dispositivos implantados.”
Relatórios da IEEE Sociedade de Engenharia em Biologia e Medicina mostram que pesquisadores da Universidade de Illinois, trabalhando com colegas em Cingapura, “descobriram como incorporar sensores eletrônicos planos, flexíveis e elásticos em tatuagens temporárias que podem suportar rugas, flexões e torções da pele. Esses microeletrônicos, que são mais finos do que um fio de cabelo e aplicados com água, podem ser usados para fornecer monitoramento (sem risco de irritação) de sinais elétricos produzidos pelo coração, cérebro e músculos.”
Na Universidade A&M do Texas, equipes “estão trabalhando em micropartículas que podem ser injetadas na camada altamente vascular da pele e mudar de cor para refletir alterações na química do sangue.”
As coisas estão se movendo rápido.

Uma analogia
A General Electric — que fabrica e aluga motores para as maiores companhias aéreas — coloca até 250 sensores em cada um de seus 5 mil motores alugados. Cada uma destas aeronaves transmite um terabyte de dados por dia sobre a saúde dos motores, permitindo que os engenheiros possam monitorar a “saúde” do motor em tempo real, mesmo durante vôos, e corrigir quaisquer problemas antes que eles fiquem muito sérios.
O meu Tesla e minha aeronave SR22T tem centenas de sensores e microprocessadores.
Mas, para a maioria das pessoas, suas geladeiras são melhor conectadas do que eles. Por quê? Não merecemos que a nossa saúde se torne proativa e preventiva também?
Sinceramente, não sei se o meu chip RFID ou qualquer outra tecnologia que implantar a curto prazo transformará a minha saúde. Mas agora eu penso diferente sobre o que é possível.
É uma época emocionante para se estar vivo.
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Aliás, se você está interessado nesta discussão… — a intersecção da saúde, Internet das Coisas, sensores, redes e longevidade humana, há apenas alguns lugares restantes no meu grupo executivo de mentoria chamado Abundance 360. Cada ano, encontro com 250 CEOs, investidores e empreendedores para trabalhar estas ideias e discutir suas implicações para o futuro. Candidate-se aqui.
A imagem de capa é uma cortesia de dangerousthings.com